Resumen:
Nas últimas décadas, vimos as crises profundas produzidas por um sistema capitalista decadente, em sua fase financeirizada e neoliberal. Atrelada a tal fenômeno, observamos a ascensão da extrema direita, que sustenta uma onda política conservadora ao redor do mundo.Os discursos de gênero e sexualidade ganharam grande projeção nesse cenário, inserindo-se em um campo de profundas disputas. Sob tal conjuntura, jovens mulheres têm se apresentado como barreira de resistência aos avanços de uma lógica conservadora, que ameaça o avanço de políticas voltadas às populações marginalizadas. Assim, a presente Tese tem com o objetivo discutir e problematizar as formas de subjetivação de jovens estudantes do ensino médio, atravessadas por discursos heterogêneos de gênero e sexualidade, construídos nas tensões do contemporâneo. Inspirada nos estudos foucaultianos e feministas, e tendo por base teórica os preceitos de performatividade de gênero desenvolvidos por Judith Butler, utilizou-se como metodologia a Entrevista Narrativa. Foram realizadas vinte e uma entrevistas com jovens estudantes do Cariri cearense, matriculadas no ensino médio, em escolas da cidade de Juazeiro do Norte - CE. Das unidades analíticas principais, surgidas das análises do material empírico elaborado, observou-se como os discursos feministas e conservadores vêm penetrando nas experiências de mulheres jovens, solidificando movimentos contestatórios quanto à normatividade de gênero e sexualidade, percebidas como opressivas. A referência às construções subjetivas é muitas vezes pautada pelo acionamento das pautas das políticas de identidade. Porém, algumas narrativas esbarram nos impasses produzidos por tais discursos, quando alheios aos outros operadores de desigualdade. Sendo assim, defende-se a tese de que os processos de subjetivação de mulheres jovens ocorrem em uma zona fluida e contraditória, onde os discursos de gênero e sexualidade operam, em muitas circunstâncias, em sentidos opostos, evidenciando limitações emancipatórias. Nesse sentido, há um movimento permanente e instável, sustentado pelos discursos das identidades e da diversidade sexual, de contestação e afirmação da heteronorma, que, embora mova os corpos para um campo de inteligibilidade, não tem garantido a parcelas consideráveis - como as mulheres pretas e pobres - o impulso necessário para angariar seu status de humanidade. Conclui-se que é urgente e necessária a integração de pautas de lutas que consigam abarcar as demandas de mulheres com experiências distintas.