| Autor | Cruz, Jeneson Tavares da; |
| Lattes do autor | https://lattes.cnpq.br/7608367857755213; |
| Orientador | Rodrigues, Maria Letícia Ikeda; |
| Lattes do orientador | https://lattes.cnpq.br/0708985506100100; |
| Co-orientador | Gonçalves, Tonantzin Ribeiro; |
| Lattes do co-orientador | https://lattes.cnpq.br/6650257755307637; |
| Instituição | Universidade do Vale do Rio dos Sinos; |
| Sigla da instituição | Unisinos; |
| País da instituição | Brasil; |
| Instituto/Departamento | Escola de Saúde; |
| Idioma | pt_BR; |
| Título | Indetectabilidade sem intransmissibilidade: fragmentações do conceito entre a clínica e a vivência; |
| Resumo | Esta tese é fruto de uma pesquisa sobre o conceito Indetectável = Intransmissível (I=I) na vida de homens gays e bissexuais que vivem com HIV (HGBVHIV) e que se encontram com carga viral indetectável, assim como na perspectiva de profissionais de saúde de dois serviços especializados em HIV localizados em Porto Alegre/RS e na região metropolitana. O objetivo principal foi investigar os sentidos e significados atribuídos ao I=I na vida dos HGBVHIV, bem como compreender como esse conceito tem sido construído e comunicado nos contextos clínicos. O I=I é uma estratégia de prevenção que afirma que pessoas vivendo com HIV que fazem uso regular da terapia antirretroviral (TARV) e alcançam carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual. O Brasil é internacionalmente reconhecido por ofertar gratuitamente a TARV pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1996, tendo publicado, em 2019, uma nota informativa que reforça a importância do reconhecimento do I=I, ratificando que tal conhecimento contribui positivamente para as relações interpessoais de pessoas vivendo com HIV, abrindo novas possibilidades de vivência com o vírus, além de combater estigma. A pesquisa de campo teve caráter qualitativo e baseou-se nas narrativas de 18 participantes — 11 HGBVHIV e 7 profissionais de saúde —, resultando na elaboração de dois artigos científicos. O primeiro artigo, centrado nas narrativas dos HGBVHIV, discute os sentidos e significados do I=I na experiência daqueles cuja carga viral se encontrava indetectável. O estudo revela que a compreensão da indetectabilidade nem sempre se traduz, de forma consistente, na noção de intransmissibilidade. Para que o potencial transformador da mensagem I=I no combate ao estigma relacionado ao HIV seja plenamente alcançado, o artigo destaca a necessidade de aperfeiçoar sua comunicação, sugerindo, inclusive, sua reformulação para “I=0”, a fim de enfatizar a ideia de risco zero de transmissão sexual. O segundo artigo examina, com base em narrativas de HGBVHIV e de profissionais da saúde, como o conhecimento sobre o I=I é construído, interpretado e negociado entre esses dois grupos. O estudo evidencia uma construção fragmentada e frequentemente desalinhada do conceito, apontando a urgência de uma comunicação mais clara e da validação do termo "intransmissível", como estratégia para empoderar pacientes, promover autonomia sexual e enfrentar o estigma. Conclui-se que, embora o I=I seja uma estratégia de prevenção capaz de promover qualidade de vida e bem-estar às pessoas vivendo com HIV, sua eficácia é limitada pelo estigma e pela desinformação. Mesmo em contextos nos quais o conceito deveria estar mais consolidado — como entre pessoas com carga viral indetectável e nas relações entre pacientes e profissionais de saúde em serviços especializados — prevalecem a desconfiança e o desalinhamento em relação ao conhecimento científico. Observa-se um consenso quanto ao objetivo de alcançar a carga viral indetectável com o uso da TARV, uma vez que isso preserva a imunidade e previne o adoecimento por aids. Contudo, a segunda parte da equação — a condição de intransmissibilidade — permanece insuficientemente compreendida, mal internalizada e de forma ineficaz comunicada nos ambientes clínicos, como se no final a equação fosse I≠I.; |
| Abstract | This dissertation is the result of a study on the concept Undetectable = Untransmittable (U=U) in the lives of gay and bisexual men living with HIV (GBMLWH) who have achieved an undetectable viral load, as well as from the perspective of healthcare professionals working in two specialized HIV services located in Porto Alegre, Brazil, and its metropolitan region. The main objective was to investigate the meanings and interpretations attributed to U=U in the lives of GBMLWH, and to understand how this concept has been constructed and communicated within clinical contexts. U=U is a prevention strategy which states that people living with HIV who adhere to antiretroviral therapy (ART) and reach an undetectable viral load do not transmit the virus through sexual contact. Brazil is internationally recognized for offering ART free of charge through its public healthcare system called Sistema Único de Saúde (SUS) since 1996. In 2019, the country issued an informational note reinforcing the importance of recognizing U=U, affirming that such knowledge contributes positively to the interpersonal relationships of people living with HIV, opens new possibilities for life with the virus, and helps to combat stigma. The field research was qualitative in nature and based on the narratives of 18 participants — 11 GBMLWH and 7 healthcare professionals — which led to the development of two scientific articles. The first article, focused on the narratives of GBMLWH, discusses the meanings and interpretations of U=U in the experiences of those with an undetectable viral load. The study reveals that understanding “undetectability” does not always consistently translate into an understanding of “untransmittability.” In order for the transformative potential of the U=U message to be fully realized in combating HIV-related stigma, the article emphasizes the need for improved communication, even suggesting that the message be reframed as “U=0” to better highlight the notion of zero sexual transmission risk. The second article examines, based on the narratives of both GBMLWH and healthcare professionals, how knowledge about U=U is constructed, interpreted, and negotiated between these two groups. The study reveals a fragmented and frequently misaligned understanding of the concept, highlighting the urgent need for clearer communication and for validating the term "untransmittable" as a strategy to empower patients, promote sexual autonomy, and confront stigma. The findings suggest that although U=U is a prevention strategy capable of improving quality of life and well-being for people living with HIV, its effectiveness is limited by stigma and misinformation. Even in settings where the concept should be more solidified — such as among people with an undetectable viral load and in patient-provider relationships within specialized services — distrust and misalignment with scientific knowledge persist. There is a clear consensus regarding the goal of achieving an undetectable viral load through ART, as this preserves the immune system and prevents progression to aids. However, the second part of the equation — the condition of being untransmittable — remains poorly understood, insufficiently internalized, and ineffectively communicated in clinical environments, as if, in the end, the equation were U≠U.; |
| Palavras-chave | HIV; Indetectabilidade; Intransmissibilidade; Undetectability; Non-transferability; |
| Área(s) do conhecimento | ACCNPQ::Ciências da Saúde::Saúde Coletiva; |
| Tipo | Tese; |
| Data de defesa | 2025-08-27; |
| Agência de fomento | CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior; |
| Direitos de acesso | openAccess; |
| URI | http://repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/14020; |
| Programa | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva; |