| Autor | Meirelles, Darciana da Silva; |
| Lattes do autor | http://lattes.cnpq.br/3690264943158565; |
| Orientador | Campesato, Maria Alice Gouvêa; |
| Lattes do orientador | http://lattes.cnpq.br/9897979825509641; |
| Instituição | Universidade do Vale do Rio dos Sinos; |
| Sigla da instituição | Unisinos; |
| País da instituição | Brasil; |
| Instituto/Departamento | Escola de Humanidades; |
| Idioma | pt_BR; |
| Título | Afinal: quem cuida de quem cuida? Uma jornada poética e formativa a partir das cartas pedagógicas na escola de educação infantil; |
| Resumo | Esta dissertação investiga de que maneira as práticas de cuidado, afeto e amorosidade constituem a experiência e a formação docente no campo da Educação Infantil, tomando como contexto empírico uma escola municipal dessa etapa e o cotidiano formativo de suas professoras. Parte-se da compreensão da Educação Infantil como um campo específico de produção de saberes pedagógicos, no qual a docência se constrói em meio a relações, tempos, corpos, materialidades e afetos, exigindo processos formativos sensíveis às experiências vividas com bebês e crianças pequenas. O objetivo geral da pesquisa foi compreender como práticas de cuidado, afeto e amorosidade atravessam e constituem a formação de professoras da Educação Infantil. Como objetivos específicos, buscou-se: (1) promover rodas de conversa, favorecendo a reflexão crítica das docentes sobre suas práticas pedagógicas e sobre si mesmas como sujeitas da docência; (2) explorar a percepção da gestão educacional acerca da importância e da viabilidade de ambientes formativos acolhedores, atentos às dimensões do cuidado de si, da amorosidade e do afeto; e (3) criar espaços de escrita que possibilitassem às professoras a produção de sentidos sobre suas práticas pedagógicas, ancoradas no cotidiano da Educação Infantil. A investigação desenvolveu-se em uma perspectiva qualitativa, com inspiração (auto)narrativa, compreendendo a formação como experiência e a escrita como prática formativa. O percurso metodológico foi constituído por dispositivos formativos tais como rodas de conversa, cartas pedagógicas, baralho reflexivo, cadernos personalizados e composições estéticas, entendidos não como instrumentos técnicos, mas como proposições ético-estéticas que entrelaçam vida, docência e formação. Do processo investigativo emergiram as categorias analíticas do tempo, da formação docente e da afetividade/cuidado de si. A análise dessas categorias foi sustentada por uma articulação teórica assumidamente audaciosa e, ao mesmo tempo, preciosa entre Michel Foucault e Paulo Freire. Em Foucault, o cuidado de si é compreendido como um exercício ético exigente, inquietante e não prescritivo, que convoca o sujeito a uma atenção rigorosa sobre seus modos de ser, agir e pensar. Em Freire, esse movimento se amplia na dimensão dialógica, relacional e política da formação, sustentada pela amorosidade, pela escuta e pela responsabilidade com o outro. Mantidas as distinções entre esses referenciais, sua articulação permitiu compreender o cuidado de si como prática formativa coletiva, construída na relação e no cotidiano da docência na Educação Infantil. A pesquisa evidenciou, ainda, que a estética constitui um princípio formativo e não um elemento ornamental, atravessando os modos de organizar os espaços, os tempos, os materiais e as experiências de formação, provocando deslocamentos e estranhamentos necessários aos processos reflexivos. No âmbito da produção técnica, foram elaborados materiais formativos diretamente vinculados às especificidades da Educação Infantil, tais como: cartas pedagógicas como dispositivo de escrita de si e de partilha; baralho reflexivo como disparador de conversas formativas; cadernos personalizados para registro das experiências docentes; e composições estéticas que favoreceram ambientes de cuidado, escuta e reflexão. Essas produções, articuladas à análise acadêmica, reforçam o caráter profissional da pesquisa e oferecem contribuições para práticas formativas na Educação Infantil, especialmente no que se refere à criação de espaços-tempo formativos éticos, sensíveis e coletivos. Reconhece-se, neste estudo, que o cuidado de si, na perspectiva foucaultiana, configura-se como um exercício árduo, inquietante, por vezes doloroso e desafiador, que demanda tempo, rigor e continuidade. Embora essa dimensão não tenha sido explorada em profundidade como prática espiritual sistemática, a pesquisa assumiu as cartas pedagógicas como um movimento inicial nesse sentido, compreendendo-as como exercícios de atenção a si, de escrita e de reflexão compartilhada. Conclui-se que, no contexto empírico desta pesquisa, o cuidado de si, articulado ao afeto e à amorosidade, constituiu-se como eixo estruturante da formação das professoras da Educação Infantil participantes, afirmando a docência como espaço de criação, de cuidado e de invenção contínua.; |
| Abstract | This dissertation investigates how practices of care, affection, and loving-kindness constitute the experience and teacher training in the field of Early Childhood Education, taking as its empirical context a municipal school at this stage and the formative daily life of its teachers. It starts from the understanding of Early Childhood Education as a specific field of pedagogical knowledge production, in which teaching is constructed amidst relationships, times, bodies, materialities, and affections, requiring formative processes sensitive to the experiences lived with babies and young children. The overall objective of the research was to understand how practices of care, affection, and loving-kindness permeate and constitute the training of early childhood education teachers. Specific objectives included: (1) promoting discussion groups, encouraging critical reflection by teachers on their pedagogical practices and on themselves as subjects of teaching; (2) exploring the educational management´s perception of the importance and feasibility of welcoming training environments attentive to the dimensions of self-care, loving-kindness, and affection; and (3) creating writing spaces that would allow teachers to produce meaning about their pedagogical practices, anchored in the daily life of early childhood education. The investigation was developed from a qualitative perspective, with (self-)narrative inspiration, understanding training as experience and writing as a formative practice. The methodological approach consisted of formative devices such as discussion circles, pedagogical letters, a reflective deck of cards, personalized notebooks, and aesthetic compositions, understood not as technical instruments, but as ethical-aesthetic propositions that intertwine life, teaching, and training. From the investigative process emerged the analytical categories of time, teacher training, and affectivity/self-care. The analysis of these categories was supported by an admittedly audacious and, at the same time, valuable theoretical articulation between Michel Foucault and Paulo Freire. In Foucault, self-care is understood as a demanding, unsettling, and non-prescriptive ethical exercise that calls the subject to rigorous attention to their ways of being, acting, and thinking. In Freire, this movement expands into the dialogical, relational, and political dimension of training, sustained by love, listening, and responsibility towards the other. While maintaining the distinctions between these frameworks their articulation allowed us to understand self-care as a collective formative practice, constructed in the relationship and daily life of teaching in Early Childhood Education. The research also showed that aesthetics constitutes a formative principle and not an ornamental element, permeating the ways of organizing spaces, times, materials, and training experiences, provoking shifts and estrangements necessary for reflective processes. In the realm of technical production, formative materials directly linked to the specificities of Early Childhood Education were developed, such as: pedagogical letters as a device for self-writing and sharing; a reflective deck of cards as a trigger for formative conversations; personalized notebooks for recording teaching experiences; and aesthetic compositions that fostered environments of care, listening, and reflection. These productions, articulated with academic analysis, reinforce the professional character of the research and offer contributions to formative practices in Early Childhood Education, especially regarding the creation of ethical, sensitive, and collective formative spaces and times. This study recognizes that self-care, from a Foucauldian perspective, is an arduous, unsettling, sometimes painful and challenging exercise that demands time, rigor, and continuity. Although this dimension was not explored in depth as a systematic spiritual practice, the research considered pedagogical letters as an initial step in this direction, understanding them as exercises in self-awareness, writing, and shared reflection. It concludes that, in the empirical context of this research, self-care, articulated with affection and loving-kindness, constituted a structuring axis in the training of the participating early childhood education teachers, affirming teaching as a space for creation, care, and continuous invention.; |
| Palavras-chave | Educação infantil; Formação de professoras; Cuidado de si; Amorosidade; Cartas pedagógicas; Early childhood; Teacher training; Self-care; Pedagogical letters; |
| Área(s) do conhecimento | ACCNPQ::Ciências Humanas::Educação; |
| Tipo | Dissertação; |
| Data de defesa | 2025-10-20; |
| Agência de fomento | Prefeitura Municipal de São Leopoldo; |
| Direitos de acesso | openAccess; |
| URI | http://repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/13997; |
| Programa | Programa de Pós-Graduação em Gestão Educacional; |