Resumo:
A Tese que desenvolvo visa analisar como as juventudes se posicionam e
constroem sentidos em relação às suas experiências escolares no Ensino Médio, na
Escola Estadual André Avelino Ribeiro, na cidade de Cuiabá, no estado do Mato
Grosso. Parto do entendimento de que a escola é um espaço de atravessamentos,
disputas e invenções, onde se produzem subjetividades e se desenham percursos
de vida. O problema que me move é: como as juventudes do ensino médio têm se
posicionado e produzido sentidos a partir de suas experiências no espaço escolar?
A investigação sustenta-se em três objetivos específicos: a) investigar os sentidos
que as juventudes atribuem a si mesmas e às suas relações com os outros, de
modo a construírem suas subjetividades; b) mapear as percepções que as
juventudes elaboram sobre a escola e as políticas públicas educacionais do Ensino
Médio; c) discutir a relação entre juventudes, escola e sua função na construção da
cidadania. As linhas de forças e afetos que atravessam esses objetivos é a aposta
na escuta sensível, como condição para reconhecer os modos de ser, estar e
(re)inventar no cotidiano escolar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que assume
a cartografia não como método fixo, mas como movimento aberto, processual e
implicado. A produção dos dados, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa,
ocorreu por meio de rodas de conversa e oficinas artísticas, entendidas como
campos de afetação e criação coletiva. Esses espaços permitiram que as juventudes
expressassem suas experiências em múltiplas linguagens – falas, silêncios,
imagens, traços e cores –, possibilitando o registro das tensões, críticas e desejos
em relação à escola. Nos aportes teóricos, diálogos com estudos sobre juventude
contemporânea (Dayrell, Pais, Martuccelli, entre outros) e com autores que
problematizam a educação democrática (Laval & Dardot, Gallo, Silva e outros), além
de Foucault (2006), Deleuze e Guattari, Sueli Ronik, as reflexões me permitem
compreender a subjetivação como processo e a escola como espaço de forças que
aprisionam e, ao mesmo tempo, possibilitam invenções. Os resultados evidenciam
que as juventudes percebem a escola tanto como espaço de pertencimento e
vínculos quanto como espaço que restringe a autonomia, limita a criatividade e barra
os movimentos de participação. As críticas dirigidas à escola são contundentes:
apontam a falta de escuta, as práticas de silenciamento e a rigidez de uma estrutura
que pouco dialoga com seus interesses e realidades. Ao mesmo tempo, reivindicam
uma escola que respeite as diferenças, valorize a diversidade e fortaleça os laços de
cuidado, confiança e autoestima. A análise das rodas de conversa e produções
artísticas revela que as juventudes não apenas habitam a escola, mas a interpretam
e a tensionam criticamente, pedindo outros modos de viver e aprender, capazes de
ampliar sua cidadania. A escuta, entendida como abertura genuína ao outro, emerge
como condição fundamental para uma educação democrática, que reconhece as
juventudes em sua complexidade e legitima seus modos de existir. Assim, reafirmo
nesta tese que caminhar junto às juventudes é atravessar fronteiras, acolher
incertezas e desafiar certezas. Mais do que mapear identidades fixas, proponho
acompanhar fluxos e devires, que se constituem na relação com a escola. A tese
inscreve-se, portanto, como um convite a repensar as práticas escolares,
reconhecendo o papel das juventudes na produção de sentidos e na invenção de
uma escola significativa, plural e viva.