Resumo:
O problema da existência de Deus é uma das questões mais fundamentais da
filosofia. A dúvida sobre a realidade divina pode gerar inquietação tanto para o teísta
quanto para o ateu, levando à busca por respostas racionais. No contexto da tradição
filosófica ocidental, Tomás de Aquino desenvolveu um dos mais influentes argumentos
em defesa da existência de Deus: o argumento cosmológico. Fundamentado na metafísica aristotélico-tomista, esse argumento busca demonstrar, a partir da observação do mundo sensível, a necessidade lógica de um Ser Necessário, causa última de tudo o que existe. A pesquisa tem como objetivo analisar criticamente o argumento cosmológico tomista, suas bases metafísicas e sua relevância na filosofia da religião. Para isso, o estudo aborda a metafísica do ato e potência, que sustenta sua estrutura, e examina as três primeiras vias apresentadas na Suma Teológica e na Suma contra os Gentios, que tratam do movimento, da causalidade eficiente e da contingência e necessidade. Além disso, investiga os principais atributos divinos decorrentes dessa demonstração, como simplicidade, eternidade, onipotência, onisciência, bondade, imutabilidade e causalidade criadora, mostrando sua compatibilidade com a tradição teísta cristã. O estudo também analisa críticas ao argumento cosmológico, especialmente as formuladas por Immanuel Kant, Bertrand Russell e Anthony Kenny, que questionam a validade da inferência de um ser necessário a partir da experiência sensível. Essas objeções são confrontadas com defesas contemporâneas, como as de Reginald Garrigou-Lagrange, Cornélio Fabro e William Lane Craig, que reafirmam sua coerência filosófica e compatibilidade com descobertas científicas recentes. Metodologicamente, a pesquisa segue uma abordagem bibliográfica e analítica, tomando como referência as obras de Tomás de Aquino e de autores contemporâneos. Mesmo após séculos de debate, o argumento cosmológico permanece influente na defesa da existência de Deus. Conclui-se que a estrutura argumentativa tomista continua válida e fornece uma base racional sólida para a crença teísta, demonstrando que fé e razão não são excludentes, mas complementares na busca pela verdade última. Sua permanência como objeto de estudo na contemporaneidade justificase pela solidez de sua base metafísica e pela sua capacidade de dialogar com questões filosóficas e científicas atuais, oferecendo uma resposta racional ao problema da origem e da contingência do universo, em sintonia com a tradição teísta e aberta ao debate interfilosófico.