Resumo:
A presente tese, elaborada no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), teve como objetivo investigar as
condições de saúde de estudantes universitários da área da saúde dos campi Mineiros e
Trindade do Centro Universitário Mineiros-UNIFIMES, Goiás, em 2022. Todos os alunos
assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Espera-se que o estudo
contribua para levantar informações sobre as formação ética do estudante de medicina e a influência do currículo oculto na sua socialização para que possa evitar esses
acontecimentos. A partir disso, a tese apresenta dois artigos: (I) Sensibilidade Moral e a
formação ética do estudante de medicina, estudo qualitativo; (II) Medição da Sensibilidade
Moral dos acadêmicos de Medicina, estudo transversal, quantitativo. A amostra do estudo
foi composta por 74 estudantes de medicina que estavam cursando o estágio obrigatório,
internato. O primeiro artigo foi realizado um estudo qualitativo, por meio de uma entrevista
coletiva, visando compreender os aspectos que influenciam a sua formação ética durante
a faculdade, entre estudantes de medicina, nos dois últimos anos do curso. Neste observouse que ensino foi considerado teórico e abstrato, não pautado pela reflexão sobre a prática clínica e as metodologias empregadas não eram ativas. O clima ético nos locais de práticas se mostrou pela competição com outros profissionais, com hostilidade e conflito. A atitude dos médicos preceptores era de contínua crítica e desvalorização dos estudantes. Essas situações apontam para a influência do currículo oculto, dificultando a formação da sensibilidade moral na formação ética do estudante de medicina. O segundo artigo, que faz parte do projeto guarda-chuva do grupo do doutorado, de base universitária cuja coleta de dados foi por meio de um questionário autoaplicado,
padronizado e pré testado. A coleta de dados deu-se em sala de aula e o questionário
incluiu uma questão sobre sensibilidade moral. Foi realizado treinamento de uma equipe
para ajudar na aplicação do questionário, infelizmente não cumpriram com o compromisso. Foi realizado o teste piloto com a ajuda da Professora Tonantizin. Após, apliquei os questionários na Unidade Mineiros, em praticamente em todas as turmas e outra colega em duas turmas. Um terceiro colega aplicou os questionários na Unidade Trindade, porém sem grandes sucessos. Fiz toda a codificação de todos os dados dos questionários aplicados em Mineiros, sozinha. A entrada dos dados foi feita por meio do software EpiData versão 3.1, em dupla entrada. Posteriormente, a digitação foi comparada com fichas originais de modo a eliminar erros de digitação. A consistência e a análise dos dados foram realizadas no software Statano. No mês de julho de 2024 fizemos análise estatística dos dados. Os mesmos não foram satisfatórios, ou seja, p insignificante. Com isso levantamos a hipótese de submeter novamente ao comitê de ética a coleta de mais dados. Ou seja, aplicar novamente o questionário aos alunos atuais do internato médico e com isso somar ao grupo anterior. Foi aprovado pelo comitê de ética e foi aplicado e codificado os questionários. Entretanto não foi realizado a digitação e não foi introduzido essas informações no banco de dados. Não tive tempo hábil.
Para desenvolver esse segundo artigo, em sua primeira tentativa, utilizamos um
estudo transversal, abordagem quantitativa, com aplicação de dois questionários
autoaplicáveis: o Moral Sensitivity Questionnaire (MSQ) e o Currículo Oculto Questionnaire (C³), respondidos por 74 estudantes matriculados a partir do 9º semestre. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva (média e desvio padrão), avaliação da consistência interna pelo alfa de Cronbach e testes de correlação bivariada, com auxílio do software SPSS. A presente pesquisa não evidenciou dados significativos. Será necessário aumentar o N para podermos conseguir significância. Com isso, optamos para esse momento, realizar a investigação do perfil demográfico da Sensibilidade Moral dos Estudantes de Medicina em regime de internato. Utilizamos os dados do banco de dados para fazer esse levantamento. Esse estudo indicou que o perfil demográfico é predominantemente feminino, branco, solteiro, sem filhos e sem atividade
laboral remunerado e se identifica como católica. A média da sensibilidade moral foi de
3,581 (DP+/- 0,42) e teve uma correlação com religião (p=0,0009), sendo uma sensibilidade maior com os não católicos com média de 3,76 (DP +/- 0,39). O questionário foi dividido em seis dimensões: “Respeito à autonomia do paciente” com média de 4,49 (DP +/- 0,5), “Autonomia modificada” com média 3,792 (DP +/- 0,82), “Conflito Moral” média 2,896 (DP+/- 0,69), “Conhecimento Profissional” média 2,810 (DP +/-0,83), “Significado Moral” média 3,884 (DP +/- 0,65), “Trabalho em equipe” média 3,618 (DP +/- 0,72). As variáveis que demonstraram associação foram os estudantes que tem filhos em relação a dimensão “autonomia modificada”, e a religião em relação à “autonomia modificada”, à “conflito moral” e à “trabalho em equipe”. O trabalho concluiu que entre as seis dimensões avaliadas pelo questionário MSQ, a que apresentou maior sensibilidade moral foi “Respeito à Autonomia do Paciente”, enquanto “Conhecimento Profissional” obteve a menor média, o que sugere que o dominio tecnico ainda não está suficientemente integrado a princípios éticos no processo formativo. Dentre as variáveis sociodemográficas analisadas, a religião foi a que mais se associou à sensibilidade moral, com impacto em três dimensões do questionário, indicando que valores pessoais interferem na construção ética dos estudantes. Esses achados reforçam a necessidade de currículos que articulem conhecimento técnico e formação ética de forma indissociável, incorporando vivências pessoais, espaços de escuta e práticas reflexivas no ambiente clínico.