Resumo:
Essa pesquisa ocupou-se de investigar as narrativas da alimentação no cotidiano pedagógico da Educação Infantil, atentando-se à relação triádica criança-comida-adulto, cuja problemática foi “que narrativas emergem da relação criança-comida-adulto no cotidiano da Educação Infantil?”. Baseou-se no pressuposto teórico de que alimentação é uma experiência humana complexa, repleta de sentidos, símbolos sociais e culturais, e é permeada por relações e rituais. A comida, neste sentido, é uma narrativa que conta a história de uma pessoa e sua comunidade. Além disso, compreendeu-se que, na escola, a alimentação deve ser contemplada em sua dimensão pedagógica, sendo considerada como uma experiência potencial de aprendizagem, desenvolvimento e interação das crianças entre si, e delas com os adultos e com o contexto que lhe rodeia. Por meio do estudo de caso instrumental, olhou-se para a jornada educativa da Faixa Etária 3, uma turma da Escola Municipal de Educação Infantil Negrinho do Pastoreio, da Rede
Municipal de Ensino de Novo Hamburgo, cuja pesquisadora foi a professora em atuação. A partir da observação participante, do diário de campo virtual e do processo documental da turma, escola e, a partir do processo gradual de análise, construíram-se três categorias analíticas que levaram a três constatações globais: (i) os rituais alimentares são mecanismos que podem sustentar a agência e a participação das crianças em suas experiências de aprendizagem na escola; (ii) a partir da concepção de escuta das crianças, é papel do professor construir um contexto alimentar de qualidade para as crianças, propositando em seu processo de planejamento e reflexão pedagógica os momentos de alimentação da jornada educativa das crianças; (iii) a
comida é um elo entre o universo interno da criança e a cultura ao qual faz parte, e é
responsabilidade da escola criar oportunidades para que elas possam experienciar momentos de alimentação que, através da comida e dos rituais alimentares, contribua para a construção da subjetividade da criança e seu senso de pertencimento à sua comunidade.