Resumen:
O presente trabalho tem como tema a violência escolar, inspirado em métodos da Justiça Restaurativa desenvolvidos em uma unidade escolar do Município de São Leopoldo. Os objetos de estudo são a violência escolar e a Justiça Restaurativa, com ênfase no Círculo de Construção de Paz (CCP), prática fundamentada na participação ativa dos estudantes. O problema de pesquisa que orienta esta investigação é: De que maneira os estudantes de uma escola municipal de São Leopoldo compreendem as diferentes formas de violência escolar, suas manifestações nas relações interpessoais e as concepções que constroem acerca do fenômeno da violência? A pesquisa é direcionada, sobretudo, a dois públicos: os estudantes, na medida em que se pretende oferecer-lhes uma ferramenta capaz de contribuir para a resolução de conflitos e para sua constituição como sujeitos ativos nesse processo; e os gestores escolares, uma vez que a compreensão das percepções juvenis acerca da violência poderá subsidiar a construção de um ambiente educativo no qual os esforços de gestão sejam menos consumidos pela resolução de conflitos recorrentes e mais voltados ao aprimoramento da prática escolar. O objetivo geral consiste em analisar e sistematizar como os estudantes de uma escola municipal de São Leopoldo percebem e interpretam as diferentes formas de violência escolar, suas expressões nas relações interpessoais e as concepções que elaboram sobre o fenômeno. Para tanto, foram definidos quatro objetivos específicos: (a) identificar os tipos de violência escolar mais reconhecidos pelos estudantes e suas formas de manifestação no cotidiano; (b) analisar as percepções estudantis acerca das relações interpessoais e sua vinculação com práticas de violência; (c) examinar as concepções construídas pelos estudantes sobre a violência escolar; e (d) investigar as estratégias ou soluções sugeridas pelos próprios estudantes para o enfrentamento da violência, subsidiando uma proposta de intervenção. A metodologia contemplou a aplicação de questionários junto a estudantes do sétimo, oitavo e nono anos do ensino fundamental, com consentimento de responsáveis e assentimento dos participantes; a análise e tabulação dos dados obtidos; a realização de Círculos de Construção de Paz com estudantes do oitavo ano, que, em ambiente de escuta e respeito, refletiram sobre os resultados; e, finalmente, a elaboração de uma proposta de intervenção voltada ao enfrentamento da violência escolar. A escola escolhida para o estudo situa-se em uma região de vulnerabilidade social, o que confere à pesquisa relevância adicional ao evidenciar a necessidade de estratégias que integrem justiça restaurativa, participação estudantil e gestão escolar no fortalecimento de uma cultura de paz. Conclui-se, assim, que enfrentar a violência escolar exige muito mais do que normas disciplinares ou medidas punitivas. Requer uma mudança cultural sustentada por vínculos éticos, escuta ativa e valorização simbólica dos sujeitos escolares.