Abstract:
Esta dissertação analisa a implementação dos Espaços Educativos Afro-Brasileiros e Indígenas (EEABIs) na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (RME/POA), à luz da relação entre gestão escolar e educação para as relações étnico-raciais (ERER). Como técnica de produção de dados, utilizei as narrativas autobiográficas, conforme Souza (2006), de coordenadoras(es) dos EEABIs, buscando compreender como suas trajetórias, práticas e desafios se articulam com os princípios da gestão democrática e com o enfrentamento das desigualdades raciais no contexto escolar. A metodologia adotada baseia-se na pesquisa qualitativa e no paradigma da pesquisa-intervenção, valorizando a escuta, a memória e a participação como elementos centrais da transformação educacional. A análise dos dados produzidos durante o percurso da pesquisa foi realizada por meio de análise de conteúdo, conforme Moraes (1999). A fundamentação teórica que sustentou os processos de pesquisa apoiou-se em uma cronologia que articula passado, futuro e presente, tendo como alicerce do momento atual as práticas de gestão e a problematização conceitual de gestão e ERER e gestão de ERER, tendo como as principais teóricas Evaristo (2008; 2016), Gomes (2002; 2012; 2017) e Gonzalez (2020). A pesquisa revela que a atuação das equipes diretivas é fundamental para institucionalizar a ERER, evitando que essa se restrinja a iniciativas pontuais ou individuais. A construção de uma gestão comprometida com a equidade racial exige intencionalidade política, formação continuada e envolvimento coletivo de toda a comunidade escolar. Como produto técnico-pedagógico, a pesquisa propõe um Protocolo de Autoavaliação e Monitoramento da Qualidade em ERER, que visa oferecer indicadores e orientar escolas no autodiagnóstico e aprimoramento de suas práticas.