Resumo:
Este texto apresenta o resultado de uma investigação histórica feita com os manuscritos e outras documentações avulsas, que compõem atualmente o “acervo das irmandades”, uma seção documental do Arquivo Histórico Municipal de Cachoeira do Sul (AHMCS). O projeto partiu da constatação da ausência de estudos históricos, centrados em localidades e períodos específicos, interessados em investigações sobre as irmandades leigas em uma perspectiva relacional, abrangendo as irmandades das elites locais, bem como as irmandades negras. A ideia de uma relacionalidade social forneceu unidade à pesquisa e narrativa, que, pela via da analiticidade das relações de raça, sexo e classe, buscou reconstituir a realidade social. O projeto foi mobilizado pela seguinte questão: por que somente as irmandades negras têm cor, nos documentos e na historiografia? Como resultados, refletimos sobre a ausência de cor (ou a presença de identidades racializadas) nos documentos históricos produzidos pelas irmandades leigas de Cachoeira (do Sul – RS, séc. XIX), e também sobre os pactos narcísicos da branquitude historiográfica acadêmica brasileira, que dificilmente colocou a branquitude em questão em seus trabalhos. Contribuindo na aproximação da história social das irmandades leigas aos estudos pós-coloniais, ao campo do pós-abolição e aos estudos críticos da branquitude.