Resumo:
Esta pesquisa tem por objetivo analisar, por meio de um estudo de caso, aspectos identitários dos imigrantes tiroleses que se estabeleceram na região de Piracicaba, estado de São Paulo, mais precisamente nas localidades de Santa Olímpia, Santana e Charqueada. O recorte histórico refere-se ao final do século XIX, desde a chegada das primeiras levas de imigrantes tiroleses ao Brasil, na década de 1870, até o término do referido século. Muito se escreveu, pesquisou e publicou sobre a imigração italiana e alemã no Brasil. No entanto, a imigração tirolesa é pouco difundida, e seus estudos resumem-se a algumas teses, dissertações e parcos artigos sobre o tema, além da atuação de alguns círculos tiroleses que tentam, de certa forma, reconstituir tal processo migratório. Notamos, inclusive, uma tendência da historiografia em estudar os tiroleses no Brasil ora como um apêndice das imigrações italiana e alemã, ora como um grupo totalmente absorvido pela imigração ítalo-germânica. Com o intuito de reconstituir, tanto quanto possível, o processo imigratório tirolês no Brasil – sobretudo na perspectiva da luta desse grupo étnico para reconstruir seus laços identitários em "terra estranha" e de caracterizar suas diferenças em relação a outras etnias com as quais foi amalgamado ou confundido, esta empreitada adotou os seguintes passos metodológicos: levantamento bibliográfico, trabalho com fontes históricas e o desenvolvimento de um estudo de caso por meio da reconstrução de uma trajetória de vida específica. A pesquisa demonstrou que os imigrantes tiroleses não foram passivamente absorvidos ou assimilados por outras correntes imigratórias, como frequentemente sugerido pela historiografia. Pelo contrário, o estudo de caso revelou um processo ativo de negociação identitária e de reconstrução de laços comunitários. Conclui-se que a experiência imigratória tirolesa foi marcada por um esforço coletivo deliberado a sustentar uma identidade distinta, organizada em suas referências culturais.