Resumo:
Embora muitos avanços tenham ocorrido desde a descoberta do HIV, no início
dos anos 80, a epidemia causada por este vírus permanece como um grande desafio
às autoridades sanitárias mundiais. Dados do Programa Conjunto das Nações Unidas
sobre HIV e Aids (UNAIDS) apontam que em 2022 havia 38,4 milhões de pessoas
vivendo com HIV em todo mundo. (UNAIDS, 2022). De acordo com o Boletim
Epidemiológico de HIV e Aids, de 1980 até junho de 2022, foram notificados,
1.088.536 casos de Aids no Brasil, desde o ano de 2013, as taxas de detecção de
HIV/Aids no Brasil vem apresentando declínio, a região Sul acompanha esta
tendência, reduzindo de 35,1 casos a cada 100 mil habitantes no ano de 2011, para
20,4 casos a cada 100 mil habitantes no ano de 2022. No estado do Rio Grande do
Sul (RS) ocorreu um declínio de 45,6% na taxa de detecção em 10 anos, passando
de 44,7 em 2011 para 24,3 em 2021. Entretanto, o RS permanece entre as unidades
federadas com taxa de detecção superior à nacional, que foi 16,5 casos a cada 100
mil habitantes em 2021. (BRASIL, 2022). Quando observamos os óbitos ocorridos em todo Brasil, desde 1980 até 31 de dezembro de 2021, verificamos que foram notificados 371.744 óbitos tendo como causa básica HIV/Aids, a região Sul permanece em destaque tendo respondido por 17,9% desses óbitos. Em 2021 o coeficiente padronizado de mortalidade brasileiro foi de 4,2 óbitos por 100 mil habitantes, o Rio Grande do Sul (RS) permanece entre os 13 estados que apresentam taxa de mortalidade superior à nacional com 7,7 óbitos a cada 100 mil habitantes. Porto Alegre apresenta dados ainda mais alarmantes, ocupando, entre as capitais brasileiras, o primeiro lugar no ranking de mortalidade com 22,6 óbitos a cada 100 mil habitantes, uma taxa 5 vezes superior à nacional. (BRASIL, 2022). Após o advento da terapia antirretroviral (TARV), houve uma queda significativa na mortalidade e morbidade causadas por HIV e Aids. Entretanto, mesmo com os avanços ocorridos ao longo dos anos, as taxas de mortalidade das pessoas que vivem com HIV/Aids permanecem importantes e a patologia se mantém como um grande problema de saúde pública em todo mundo. De acordo com a OMS, uma epidemia é considerada generalizada quando a prevalência de pessoas acometidas pela infecção supera 1%, indicando que a mesma não se concentra apenas em certos grupos populacionais. (WHO, 2013 ). Nesse sentido, o Estudo Atitude, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, via PROADISUS, que mapeou os cuidados da população gaúcha em relação às Infecções Sexualmente Transmissíveis e realizou estudo de prevalência da infecção pelo HIV na amostra representativa do estado, cujos dados ainda não foram publicados identificou, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), prevalência de HIV em torno de 1,64%. Levando em consideração a magnitude e peculiaridade da epidemia no estado do Rio Grande do Sul, e em especial em Porto Alegre e região metropolitana, pretendemos conhecer a tendência da mortalidade e as principais causas associadas aos óbitos ocorridos por HIV/Aids no Rio Grande do Sul, através dos casos registrados no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) entre janeiro de 2011 a dezembro de 2021. Este estudo é uma subanálise de um projeto maior do nosso grupo de pesquisa no qual foi construída a Cascata do Cuidado Contínuo da Infecção TB/HIV, aprovada pelo CEP da Escola de Saúde Pública/ Secretaria de Saúde ESP-SES/RS sob o número 5.620.936 e pelo CEP da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS sob o número 5.528.593 e financiado pela OPAS - Brasil. Esta avaliação é de vital importância para nortear estratégias e ações em saúde, com vistas ao enfrentamento da mortalidade tendo como causa básica o HIV/Aids e direcionadas às particularidades da epidemia enfrentada no estado do Rio Grande do Sul em especial em Porto Alegre e região metropolitana.