Resumo:
A Auto-Organização dos times de projetos é uma das seis características identificadas por Takeuchi; Nonaka (1986) que levam às empresas flexibilidade e velocidade no desenvolvimento de produtos e soluções. Schwaber (1997) incorporou esta característica ao criar uma nova abordagem de processo de desenvolvimento de software ao qual chamou de Scrum, sendo atualmente um dos métodos ágeis mais utilizados no mundo conforme CollabNet VersionOne (2019). Segundo Heylighen (2002) a Auto-Organização surgiu de muitos campos científicos díspares como física, química, biologia, cibernética e está diretamente relacionado a Teoria da Complexidade e ao Pensamento Sistêmico tendo como expoentes Edgar Morin e Fritjof Capra respectivamente, dando origem ao Paradigma Sistêmico-Complexo. Este estudo teve como objetivo compreender a Auto-Organização em um Time Scrum, à luz do Paradigma Sistêmico-Complexo, a partir dos princípios da Recursividade, Hologramaticidade e Dialógica propostos por Morin. Foi utilizado uma abordagem metodológica qualitativa, através de uma pesquisa-ação, em um time que usou o Scrum proposto no Scrum Guide de Schwaber; Sutherland (2020) em uma grande empresa de Tecnologia da Informação. Como resultados, foram analisadas as relações das pessoas e compreendidos a influência do Meio (ambiente externo ao time) tendo em vista as complexidades e atores envolvidos, do Todo (time) com a criação de Mapas Sistêmicos e Modelagens Computacionais do Scrum e o processo de Auto-Organização, e das Partes (pessoas do time), onde foram encontrados 31 fatores que influenciam a Auto-Organização dos integrantes do Time Scrum. A partir disto, foi estabelecido a relação do Scrum com o Paradigma Sistêmico-Complexo e identificado oportunidades de melhoria no processo de Auto-organização de um time que utiliza o Scrum no desenvolvimento de software.