Resumo:
Pessoas privadas de liberdade enfrentam condições desafiadoras, como superlotação e
acesso limitado a direitos fundamentais previstos na legislação penal, mas nem sempre
garantidos por barreiras estruturais e estigmas sociais. O suporte social é essencial ao
longo de todo o ciclo prisional, funcionando como uma ponte entre o ambiente
carcerário e o mundo externo, promovendo equilíbrio e saúde mental. As visitas
familiares destacam-se como o principal mecanismo de suporte. A dissertação abrange
dois estudos sobre o suporte social no contexto prisional. O primeiro, qualitativo,
entrevistou cinco homens privados de liberdade, explorando suas percepções sobre o
suporte recebido. A análise categorial identificou três eixos principais — família,
amigos e pessoas significativas — destacando o papel das visitas, o apoio emocional e o
medo de serem esquecidos. A troca de cartas também surgiu como forma de suporte no
contexto das amizades. O segundo estudo, quantitativo e descritivo, analisou 64
participantes, comparando os níveis de sofrimento mental (depressão, estresse e
ansiedade) entre quem recebia visitas e quem não recebia. Os resultados apontaram uma
relação fraca entre suporte social e sofrimento mental, mas revelaram que os apenados
que recebiam visitas percebiam maior rede de apoio. Os achados reforçam a
importância de políticas que incentivem visitas e contatos positivos, visando o bem-estar e a reintegração social.