Resumen:
O objetivo dessa tese foi analisar o papel das crenças sobre violência conjugal na
ocorrência da violência e seus impactos na saúde mental. Esta tese é composta por três
artigos empíricos. O primeiro, qualitativo e exploratório, teve por objetivo investigar as
crenças sobre violência conjugal por meio de um grupo focal. Os resultados revelaram
três eixos centrais de crenças: 1) influência da cultura, do gênero e da masculinidade na
aceitação da violência; 2) transgeracionalidade e a naturalização da violência e 3)
justificativas para a ocorrência da violência. O segundo estudo, quantitativo, teve por
objetivo identificar o nível de concordância com as crenças, comparar a perspectiva de
homens e mulheres e verificar que características sociodemográficas podem ser preditivas de maior concordância com as crenças. Os resultados evidenciaram baixos níveis de concordância com as crenças legitimadoras de violência, mas os homens apresentaram maiores níveis de concordância com as crenças do que as mulheres (p<0,05). O terceiro estudo, de caráter correlacional, buscou analisar o nível de concordância com as crenças e verificar possíveis associações com a perpetração e vitimização nos relacionamentos e seus agravos à saúde mental. Os resultados evidenciaram baixos níveis de concordância com as crenças, mas altos índices de violência e associação entre a ocorrência da violência conjugal e adoecimento mental. Os achados da tese revelam um cenário inicial de transformação nas crenças sobre violência, que ainda parece não se refletir na mudança do comportamento violento na conjugalidade.