Abstract:
A síndrome metabólica (SM) é caracterizada por um conjunto de fatores de risco interrelacionados, incluindo obesidade abdominal, hiperglicemia, hipertensão e
dislipidemia e está associada a um risco aumentado de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), eventos cardiovasculares e morte. Obesidade e DM-2 são doenças crônicas com
elevada prevalência e impacto significativo sobre a saúde pública. Apesar da ingestão
calórica frequentemente elevada, indivíduos com essas condições podem apresentar
deficiências de micronutrientes essenciais, como magnésio, zinco e selênio,
envolvidos em processos metabólicos, inflamatórios e antioxidantes. Este estudo teve
como objetivo avaliar a prática de suplementação de micronutrientes em pacientes
com obesidade e/ou síndrome metabólica, por meio da análise da ingestão dietética
e da conduta profissional. Além disso, discute-se a influência da ecologia nutricional e
do descompasso entre a dieta moderna e a fisiologia humana ancestral no aumento
das deficiências nutricionais. Dentre as principais metodologias empregadas, foram
aplicados a 18 pacientes adultos com diagnóstico de obesidade e/ou síndrome
metabólica o Questionário de Frequência Alimentar (QFA ELZA Brasil – versão
reduzida) e outro avaliando o estado de saúde. Para 17 profissionais de saúde
(médicos e nutricionistas), também foi aplicado um questionário a fim de mapear
práticas clínicas relacionadas à triagem e suplementação de micronutrientes. Dentre
os principais achados, os dados revelaram ingestão abaixo das recomendações para
todos os micronutrientes avaliados. A análise de componentes principais (PCA) e o
heatmap indicaram padrões alimentares heterogêneos entre os participantes. Em
relação à prática profissional, observou-se ampla variabilidade na prescrição, vias de
administração e avaliação de resposta à suplementação com ausência de protocolos
padronizados. Sendo assim, em conjunto, tais achados sugerem que há risco elevado
de deficiências subclínicas e necessidade de estratégias nutricionais personalizadas
e padronizadas, além de capacitação dos profissionais para o manejo adequado
desses pacientes.