Abstract:
Este estudo analisou a autopercepção e a heteropercepção de comportamentos de Liderança Autêntica (LA) em uma instituição financeira cooperativa brasileira, temática relevante diante da expansão e impacto socioeconômico do cooperativismo no país. Adotou-se desenho misto: etapa quantitativa com aplicação do Authentic Leadership Questionnaire (ALQ) e amostra de 162 participantes (57 líderes; 105 liderados) de diferentes níveis do pipeline de liderança; e etapa qualitativa com entrevistas individuais com quatro membros da alta liderança. Os resultados indicaram ausência de diferença significativa no escore total do ALQ entre líderes e liderados (Teste U de Mann–Whitney, p=0,406), com medianas próximas (líderes=3,06; liderados=3,00). Em análise multivariada, escolaridade mostrou-se preditora do escore geral do ALQ, sugerindo avaliação mais crítica da autenticidade por públicos com maior formação; sexo não se manteve como preditor no modelo final. Na etapa qualitativa, emergiram facilitadores (coerência entre discurso e prática; inspiração e consistência ética) e barreiras (tempo escasso para conversas de qualidade; contextos politizados; necessidade de segurança psicológica). A integração dos achados sustenta a adequação do ALQ ao contexto estudado e orienta um roteiro de desenvolvimento que combine diagnóstico (ALQ), debrief guiado e artefatos de gestão (fóruns de voz, abertura informacional, ritos decisórios e argumentação expositiva). Como síntese, recomenda-se fortalecer estruturas de participação, voz e transparência e instituir monitoramento periódico via ALQ, de modo a sustentar a autenticidade nas rotinas e seus efeitos sobre pessoas e decisões organizacionais.