Resumen:
A presente tese investiga a relevância da securitização de operações de crédito como instrumento de gestão de liquidez no sistema bancário brasileiro, entre 2013 e 2023. O tema se justifica pela importância da liquidez para o sistema financeiro e pela lacuna na literatura nacional sobre o papel da securitização nesse processo. Enquanto estudos internacionais destacam sua contribuição para a liquidez, funding, capital regulatório e o compartilhamento de riscos, sua adoção no Brasil é ainda incipiente e concentrada em poucos emissores. O objetivo é avaliar se a securitização exerce efeito significativo sobre a liquidez dos bancos múltiplos que operam no país, distinguindo grandes instituições (S1 e S2) e bancos de menor porte (S3 a S5). Para isso, foi construída uma base inédita com dados do Banco Central, CVM e Anbima, abrangendo FIDC, CRA, CRI e debêntures lastreadas em créditos bancários. Utilizou-se modelo de dados em painel com efeitos fixos e erros robustos, incluindo defasagens da variável de securitização para mitigar endogeneidade. Os resultados não confirmam que a liquidez bancária seja sensivelmente impactada pela securitização. Três fatores explicam essa ausência de efeito: (i) o baixo volume e frequência de emissões (419 operações em 11 anos), (ii) a concentração em seis bancos (~62% do total) e (iii) o peso residual nos balanços (0,53% da carteira de crédito). O uso intensivo de operações compromissadas com títulos públicos — acima de 15% do PIB — também reduz o incentivo à securitização. Conclui-se que fatores estruturais, como concentração bancária, custos de transação e predominância do financiamento da dívida pública, limitam sua relevância como instrumento de liquidez. A pesquisa contribui ao preencher uma lacuna da literatura e ao oferecer subsídios para políticas e estratégias de funding de longo prazo.