O alimentar-se como ato educativo na Educação Infantil: uma perspectiva intercultural

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

O presente trabalho tem como principal objetivo refletir em torno dos processos alimentares vivenciados pelas crianças nas creches e pré-escolas, tendo em vista a alimentação como ato educativo, permeado pelo pensamento pedagógico que concebe a relação entre a interculturalidade e criança para compreender o alimentar-se na Educação Infantil. Para isso, alguns direcionamentos teóricos são realizados para conduzir a concepção de alimentação na infância, como a interculturalidade, que recupera a noção de alimento como patrimônio cultural da humanidade, a experiência, que é a base para conceber o cotidiano na escola da infância, a mediação pedagógica, que fomenta a construção de uma prática docente pautada na intencionalidade pedagógica, e a soberania alimentar, que conduz novas perspectivas sobre o alimentar-se como uma conexão entre sujeito, natureza e cultura. A escolha metodológica para realizar este estudo articula a pesquisa documental aos pressupostos da Teoria Bioecológica de Desenvolvimento Humano postulada por Urie Bronfenbrenner. Nesta articulação, concentra-se a análise de quatro documentos curriculares em contextos bioecológicos concêntricos: o macrossistema - Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil (2017); o exossistema - Referencial Curricular Gaúcho: Educação Infantil (2018); o mesossistema - Caderno 2 da Organização da Ação Pedagógica na Educação Infantil na Rede Municipal de Novo Hamburgo/RS (2020); e o microssistema - Projeto Político Pedagógico de uma Escola Municipal de Educação Infantil da Rede de Novo Hamburgo/RS. Com a análise do alimentarse e seus pressupostos nos quatro ecossistemas curriculares, constatou-se que o currículo na Educação Infantil deve estar pautado em perspectivas interculturais para abranger, valorizar e significar as diferentes formas de se alimentar das crianças e suas famílias. Inclusive, apesar de não contemplarem nominalmente a alimentação intercultural, os documentos analisados possuem uma premissa pedagógica que se aproxima da educação intercultural abordada por Santiago, Akkari e Marques (2013). Ademais, percebeu-se a importância de conjecturar as vivências alimentares das crianças aos ideais estabelecidos pela soberania alimentar. Por fim, na intenção de fomentar as discussões sobre o tema, é realizada uma proposição pedagógica que dialoga com professores e professoras, construindo algumas ações que constituem um alimentar-se intercultural no cotidiano das crianças nas creches e pré-escolas.