"O Pantera Negra vive": sentidos políticos entre um príncipe e um radical na construção de um radicalismo negro

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

A política está presente na realidade cotidiana, através de posições, opiniões e problemas que afetam as vidas de todas as pessoas. Muito se fala em polarização, mas pouco se fala sobre os polos dessa polarização na esfera pública: a política, no dia a dia, não costuma significar para nós em toda a sua profundidade. Essa pesquisa se propõe a explorar os sentidos políticos sobre radicalismo negro construído através das personagens de T’Challa e N’Jadaka (Killmonger) do filme Pantera Negra (2018), procurando relacionar as posições expressas por essas personagens aos contextos políticos, históricos e sociais que dão a elas sentido. Para isso, a pesquisa se baseia na Análise de Discurso a partir da perspectiva de Eni Orlandi, procurando conceituar a forma como os sentidos são criados, como a linguagem faz sentido para nós através do mecanismo da ideologia no processo de discurso. Entendendo a qualidade particular do discurso dentro da linguagem cinematográfica, a pesquisa traz as contribuições de Vanoye e Goliot-Lété sobre análise fílmica e as conceituações de Vanegas sobre análise semiótica de filmes, para estabelecer uma maneira de destacar o conteúdo simbólico e cinematográfico do texto, a fim de posteriormente reconstituí-lo como um todo em contato com as formações discursivas extra fílmicas que dão a ele sentido. A partir dessas bases se dá a construção de um aparato analítico, buscando contextualizar a história do colonialismo através de Rodney, a história e as filosofias políticas do liberalismo e do radicalismo através de Losurdo, e as filosofias de revolucionários negros através das antologias de seus escritos organizadas por Manoel e Landi. A essas leituras fundamentais, são adicionados diversos artigos menores sobre temas específicos, com o objetivo de pôr em debate posições do campo liberal e do campo radical sobre essas questões. A pesquisa usa desses contextos para desdobrar os sentidos políticos que emergem na análise do discurso fílmico, revelando deslocamentos, apagamentos e substituições no trajeto entre o interdiscurso e o texto como se apresenta. Ao fim, conclui-se que Pantera Negra resgata de forma fundamental, mas comedida, os sentidos das mazelas criadas no processo colonial, problemas sustentados pelo capitalismo liberal ainda hegemônico, mas não oferece espaço amplo para uma alternativa radical como solução para esses problemas. O filme constrói em N’Jadaka uma figura totalitária indesejável e favorece a alternativa reformista de T’Challa, mas ao mesmo tempo cria uma abertura no discurso ao se mostrar simpático às dores do líder radical.