Composição e estrutura da acarofauna (acari: mesostigmata; trombidiformes; endeostigmata) em ambientes edáficos na Mata Atlântica no sul do Brasil

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data de defesa

Autor(a)



Orientador(a)


Coorientador(a)


Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola Politécnica

Programa

Programa de Pós-Graduação em Biologia

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

O objetivo deste estudo foi conhecer a composição e a diversidade da acarofauna edáfica relacionada ao bioma Mata Atlântica no Rio Grande do Sul, em duas diferentes formações florestais: Floresta Ombrófila Mista (FOM) e Floresta Ombrófila Densa (FOD). Foi comparada a riqueza de espécies, abundância e similaridade da fauna de ácaros edáficos, avaliando se o fator espacial (limite de dispersão), além de fatores ambientais bióticos e abióticos, influenciam na comunidade de ácaros edáficos no sul da Mata Atlântica. Para cada formação vegetal, foram escolhidos dez pontos amostrais. Para avaliar a diversidade da acarofauna edáfica, em cada ponto amostral seis subamostras foram coletadas tanto para o microambiente de solo quanto para o microambiente de serapilheira, com isso, garantimos o esforço amostral adequado dentro de cada ponto amostral para estimar a diversidade e composição de espécies de ácaros. Para determinar a influência dos processos estocásticos (limite de dispersão) e determinísticos (fatores abióticos e bióticos) na comunidade de ácaros edáficos criamos duas matrizes, a primeira incluindo a distância geográfica. A distância entre os pontos amostrais foi utilizada como preditora para estudar o papel dos limites de dispersão na formação da comunidade. Para estimar o potencial dos processos determinísticos na estruturação da comunidade de ácaros, criamos outra matriz com os fatores abióticos e bióticos, dentre eles, a granulometria, umidade e matéria orgânica do solo, a densidade e estrutura da vegetação, profundidade e percentagem de folhas, galhos e raízes finas da serapilheira e densidade de oribatídeos foram mensuradas. No total foram coletados 3081 ácaros, sendo 2091 adultos e identificados em 130 espécies/morfoespécies com 25 singletons e 15 doubletons. Os gêneros Pyrosejus, Polyaspis, Clausiadinychus, Multidendrolaelaps, Athiasella, Veigaia, Holostaspella, Gaeolaelaps, Gymnolaelaps, Labidostoma, Rhagidia, Stereotydeus, Laminochaelia são registradas pela primeira vez para o estado do Rio Grande do Sul e as espécies de Cunaxidae Neocunaxoides promatae Rocha, Rodrigues e Ferla, 2015, Bonzia flechtmanni Rocha, Rodrigues e Ferla, 2015 e Dactyloscirus multiscutus Rocha, Rodrigues e Ferla, 2015 foram descritas e ilustradas em trabalho já publicado. A abundância total, de ácaros adultos e riqueza de espécies apresentou maiores valores em FOD que totalizou 111 espécies, enquanto que em FOM foi observado 90 espécies. Quando os microambientes foram comparados separadamente, observou-se que a serapilheira apresentou maior abundância e riqueza de espécies. A densidade de oribatídeos apresentou influência significativa sobre a abundância e riqueza da acarofauna. A composição entre as formações florestais não apresentou diferença, porém, observou-se que as comunidades de ácaros nos pontos amostrais mais próximos, independente da formação florestal, eram mais semelhantes entre si do que aqueles distantes. A profundidade da serapilheira, a granulometria, percentagem de matéria orgânica no solo e a densidade de oribatídeos foram os fatores avaliados que contribuíram substancialmente para a variação da comunidade da acarofauna. Estes resultados fornecem fortes evidencias de como os limites de dispersão e fatores bióticos e abióticos são importantes estruturadores da composição comunidade de ácaros edáficos na Mata Atlântica no sul do Brasil. Desta forma, pode-se concluir com o presente estudo que estes ambientes necessitam de urgente atenção, sendo áreas prioritárias para a conservação da diversidade biológica, pela sua importância para ecossistemas adjacentes.