Flora lenhosa em sistemas agroflorestais no Rio Grande do Sul: uma revisão bibliográfica sobre valor de uso das espécies

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

As práticas agropecuárias convencionais e as atividades extrativistas mal planejadas devastaram incontáveis ecossistemas, com perdas irreversíveis da diversidade de espécies. Em contraponto, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são considerados uma opção alternativa aos modelos de produção atuais, visando não apenas a produção e a expansão da economia, mas também a melhoria na qualidade dos recursos ambientais e o uso sustentável da biodiversidade. Contudo, o escasso conhecimento sobre o valor de uso da flora lenhosa do Rio Grande do Sul, Brasil, está afetando de forma negativa a conservação da biodiversidade e a exploração sustentável de seus produtos. O objetivo do trabalho foi realizar um levantamento para identificar quais são as espécies lenhosas de interesse agroflorestal em SAFs certificados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (SEMA-RS), assim como apresentar seus valores de uso. Para determinar as espécies de interesse agroflorestal, realizou-se a análise dos pedidos de Certificação Agroflorestal, entre o período de 2019 a 2021. As publicações consultadas durante revisão bibliográfica sobre o valor de uso foram extraídas do “Google Schoolar”. Foram encontradas 203 espécies lenhosas, distribuídas em 58 Famílias Botânicas, sendo as mais representativas, Fabaceae (28), Myrtaceae (19), Lauraceae (14), Meliaceae (10) e Moraceae (10). A revisão bibliográfica aponta que 167 espécies possuem funções agroecossistêmicas; 152 espécies são utilizadas na medicina popular; 130 espécies são consideradas ornamentais; 121 espécies são utilizadas como alimento; 95 espécies são utilizadas para obtenção de madeira, sem especificação quanto à sua finalidade; 88 espécies possuem madeira utilizada para construções; 82 espécies possuem madeira utilizada para obtenção de energia; 50 espécies possuem outras utilidades; e 98 espécies são importantes economicamente. Os resultados obtidos durante o estudo mostram a potencialidade da biodiversidade, principalmente da flora nativa, em prover bens e serviços para a humanidade, de modo a conciliar a produção e a conservação em um sistema agroecológico, que atenda as demandas ambientais e humanas.


Tema (CNPq)

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