A política negativa em Adorno: Possibilidade de uma vida emancipada

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Filosofia

Agência de fomento

Nenhuma
Resumo

A presente tese tem o objetivo: tematizar a possibilidade de uma Política Negativa em Adorno com o intuito de pensar a vida emancipada. O processo de desencantamento do mundo iluminista, que prometia liberdade, certezas científicas e progresso, transformou a razão em instrumento de dominação e mascarou a realidade, instaurando, assim, um sistema administrado. Esta estrutura provocou o estreitamento da racionalidade crítica e eliminou a tensão entre conceito e realidade. Escondeu também a real política, pois o sistema administrado não considera as singularidades, o não idêntico, aquilo que aparece de contraditório na vida humana e na sociedade. Dessa forma, o objetivo da política fica encoberto, torna-se um conceito abstrato que está a serviço do sistema instrumental burguês. A real política é mais do que aparece de imediato na totalidade da sociedade administrada, por isso, nosso objetivo é fazer um exercício, nas obras de Theodor Adorno, da estrutura que apreende e direciona a política, compreendendo como este posicionamento leva o indivíduo e a sociedade à decadência. Mas também, pretendemos, a partir do pensamento de Adorno, apontar perspectivas que podem levar a humanidade e a sociedade para processos emancipatórios através do que, seguindo a terminologia de Adorno, denominamos de política negativa. Para encontrar as perspectivas, acreditamos que é preciso tirar a casca ao redor da política, expor a realidade na qual ela está inserida e dar dinamicidade para que o heterogêneo viva. Nesse sentido fica a pergunta: isso poderia ser feito através da dinâmica da dialética negativa? Na teoria de Adorno, a dialética não se completa, ela se detém no momento da negatividade, articulando e tencionando a razão permanentemente e à medida que ocorre a reflexividade, a razão vai iluminando e qualificando a realidade sem torná-la abstratamente conceitual, ou seja, os elementos se cristalizam por um movimento objetivo projetando novas constelações. Essa dinâmica, de dialética negativa, pode tensionar, articular e iluminar a política, trazendo à tona possibilidades emancipatórias da vida e de uma sociedade melhor sem torná-la administrada. Esta pesquisa analisa se a política negativa pode desobstruir a camada ideológica que oculta as contradições e trazer à tona uma nova configuração, uma outra realidade, ou ainda, a verdadeira realidade. Também tenciona compreender se uma política negativa pode manter a tensão, um campo de forças e pode ir além da superfície imediata das coisas ao não se contentar com as aparências, e se pode resistir e contrapor a estrutura burguesa e a falsidade do todo pela verdade. Com estas questões abertas, nos desafiamos a construir uma reflexão, através da política negativa na obra de Theodor Adorno, por acreditarmos que não existe uma teleologia da sociedade e nem uma racionalidade dos acontecimentos previamente fixados.