“Não Cabia Todo Mundo...”: memórias enquadradas e subterrâneas da Casa da Feitoria

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

O presente estudo tem como tema o patrimônio cultural. A pesquisa trata da Casa do Imigrante, localizada no bairro Feitoria em São Leopoldo, e visa discutir a relação entre memória e educação. Compreendendo que o valor simbólico do patrimônio cultural é construído a partir das memórias, histórias e culturas que são valorizadas e salvaguardadas neste local, parte-se da hipótese de que a educação patrimonial possui uma relação íntima com a construção destes sentidos simbólicos e que estes são responsáveis pelos processos de identificação da comunidade. Para tanto propõe-se o seguinte problema de pesquisa: Quais os processos de identificação da comunidade local e como estes moradores se relacionam com este bem edificado? A pesquisa desenvolve-se por meio de um estudo de caso que analisa as relações estabelecidas entre a comunidade local, formada em sua maioria por descendentes de imigrantes alemães e afrodescendentes, e este bem de natureza material. O objetivo geral busca conhecer e analisar o valor simbólico da Casa da Feitoria para a comunidade local e os objetivos específicos visam compreender as expectativas com o processo de restauro e sua relação com a educação patrimonial e a preservação do patrimônio cultural. Para isso a metodologia de pesquisa desenvolve-se a partir da bricolagem (MEYER; PARAISO, 2014) e utiliza de entrevistas compreensivas, análises bibliográficas e visitas de campo como ferramentas para alcançar este objetivo. Os principais autores que constituem o referencial teórico deste trabalho são: Canclini (2019), Bauman (2013), Hall (2019), Pollak (1992), Costa (2008), Horta, Grunberg e Monteiro (1999) e Silva, Rodrigo (2015). Como resultados, constatou-se que as relações dos entrevistados com este lugar de memória divergem de acordo com a fala de cada grupo social. A unanimidade em suas narrativas dizem respeito, no entanto, ao interesse comum em viabilizar este espaço construindo e reforçando processos de identificação da comunidade para com este patrimônio. A educação patrimonial pode, portanto, ser uma importante ferramenta para a apropriação deste bem cultural, numa perspectiva de resistência à homogeneização cultural e a quebra de estereótipos de uma história única.