Da in(tolerância) à violência linguístico-simbólica contra minorias sociais no Brasil : uma análise a partir da matriz discursivo-semiológica

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data de defesa

Autor(a)



Orientador(a)


Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Direito

Programa

Programa de Pós-Graduação em Direito

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

O fenômeno linguístico, imprescindível à identidade e sociabilização humanas, configura-se objeto de escrupulosa investigação nesta dissertação de mestrado em direito público, a qual ressalta sua importância inenarrável para a coexistência comunitária diuturna. Delineia-se in textum uma evolução diacrônica da linguagem, remontando à Antiguidade Clássica, com ênfase nas variabilidades gregas e romanas, perpassando a influência escolástica medieval, até alcançar a sistematização da Semiologia e da Semiótica no alvorecer do século XX. Sobressaem-se, em especial, a teorias elaboradas pela Análise do Discurso Francesa – representada por Michel Foucault, Michel Pêcheux e Pierre Bourdieu – e pela Semiologia do Poder ou Semiologia Política, desenvolvida por Luis Alberto Warat e Leonel Severo Rocha na década de 1980. Este estudo contrapõe tais variadas perspectivas epistemológicas às transformações experimentadas pelo direito constitucional brasileiro desde 1824 no que tange à liberdade de expressão e à violência linguístico-simbólica, almejando, em um segundo momento, uma análise profunda das nuances estabelecidas pela Constituição Federal de 1988 no âmbito axiológico-valorativo nacional. A partir da hipótese de que as estruturas referenciais mencionadas denotam a necessidade imperativa de reconhecer a intolerância à violência linguístico-simbólica contra minorias sociais no Brasil, o objetivo geral delimita-se a escrutar, com base nas correntes gnosiológicas in fine, as vicissitudes concernentes a este dever público, o que será desenvolvido por meio de três objetivos específicos: (1) perscrutar de maneira meticulosa a linguagem e suas vertentes principais, conferindo particular atenção à Análise do Discurso Francesa e à Semiologia do Poder; (2) examinar criticamente o direito fundamental à liberdade de expressão nas Constituições brasileiras anteriores a 1988, destacando suas contradições e repercussões sobre segmentos populacionais minoritários; e (3) dissecar as metamorfoses axiológicas introduzidas ela Carta Magna de 1988, avaliando sua efetividade na proteção contra discursos opressivos. A justificativa teórica deste trabalho assenta-se na confluência de múltiplas disciplinas, liame que propugna uma compreensão integral das dinâmicas de poder e controle comunitário mediadas pela linguagem; a natureza interdisciplinar dessa investigação mostra-se inenarrável para revelar a instrumentalidade da linguagem tanto como meio de emancipação quanto de opressão. Por sua vez, a justificativa social advém da necessidade premente de compreender e combater as práticas de dominação discursiva que subjugam milhões de indivíduos marginalizados, o que se realiza de modo a aspirar uma sociedade mais equitativa. Utiliza-se, para tanto, o método de pesquisa hipotético-dedutivo de Karl Popper, associado ao tipo de pesquisa bibliográfica e a uma abordagem de pesquisa qualitativa. O enfoque de pesquisa incide sobre estratégias explicativas, descritivas e exploratórias, com o propósito de elucidar as causas subjacentes à violência linguístico-simbólica e suas inter-relações com outros campos do conhecimento. Preleciona-se que a dissertação corroborou a hipótese primordialmente apresentada pelo autor, demonstrando ipso facto que a história constitucional brasileira, em termos gerais, e o Supremo Tribunal Federal, em particular, evoluem no sentido protetivo, mas que ainda existe a carência de um amadurecimento legislativo o qual proporcione a indispensável segurança jurídica para esse contexto.