“Ardorosa maragata”: a atuação política de Ana Aurora do Amaral Lisboa em Rio Pardo - RS (1890-1920)
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Ana Aurora do Amaral Lisboa (1860-1951) foi uma professora, escritora sulrio-grandense e ativista política. Natural de Rio Pardo, Ana Aurora vivenciou capítulos importantes da história brasileira do final do século XIX e primeira metade do século XX. Esta pesquisa busca compreender a trajetória política dessa professora e escritora rio-pardense, notória simpatizante do Partido Liberal e Partido Federalista gaúcho. Trabalhamos um conjunto diversificado de fontes históricas, como relatos (auto)biográficos, correspondências, jornais, processo-crime e inventário. Analisando o perfil socioeconômico de sua família, foi possível observar que os Amaral Lisboa eram de uma família modesta. Conclui-se que o itinerário de Ana Aurora no “mundo das letras”, como professora e escritora, foi alavancado pela influência social da sua família. Em meio à guerra civil da Revolução Federalista (1893-1895), compreendemos um evento que norteou a vida política de Ana Aurora. Em uma ação que visava reparar a honra individual e familiar, Ana Aurora ganhou notoriedade na política regional e, posteriormente, na historiografia, pela escaramuça com Antero Fontoura (opositor político), gerando a abertura de um processo-crime e uma série de confrontos midiáticos entre ambos. Utilizando a escrita como recurso, como forma de se defender e participar do conflito civil no estado, esse acontecimento biográfico ficou marcado na memória sobre Ana Aurora e alavancou sua carreira como colunista política e “membra honorária” dos federalistas. A atuação de Ana Aurora em jornais como A Reforma e Gaspar Martins ampliou sua reputação como uma destacada maragata, atuação marcada por tensionamentos e estratégias, sendo uma mulher que se debruçava sobre assuntos políticos em espaços públicos majoritariamente masculinos.
