A indústria calçadista gaúcha: um estudo das relações produtivas e dos aspectos sociais do espaço industrial das hortênsias
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Este trabalho pretende analisar e investigar o processo de formação do polo calçadista, a organização industrial, e as mudanças sociais que ocorreram no Rio Grande do Sul desde os anos 50, tendo como foco principal as regiões das Hortênsias e da Encosta da Serra. A cidade de Picada Café, no Rio Grande do Sul, tem a indústria calçadista como sua principal atividade econômica, sendo um dos maiores centros produtores de calçados do estado. A partir da década de 1950, ocorreu a intensificação do processo de industrialização e interiorização do setor, com a implantação de modernas técnicas de produção, voltadas para o aumento da produtividade e de melhorias na relação entre funcionário e empresa. Essas transformações acarretaram num significativo crescimento populacional, resultantes de um longo processo de migração e descentralização das unidades produtivas. Logo, manifesta-se um novo tipo de trabalhador, o colono-operário, que surge como uma nova forma de recrutamento de trabalho nestas áreas periurbanas, e por isso, se torna o principal sujeito desta investigação. Para realizar esta pesquisa, analiso diversas fontes historiográficas que nos ajudarão a entender a evolução da indústria calçadista no Rio Grande do Sul e suas microrregiões, nos possibilitando compreender a constituição do mercado e da força de trabalho deste setor, explorando as questões sociológicas e econômicas que foram decisivas para sua formação e ditaram esta atividade atualmente. A história oral foi utilizada afim de nos dar maiores informações da questão de força de trabalho do colono-operário. Esta investigação se dará através de entrevistas com antigos e atuais trabalhadores fabris, que dividiram seu tempo da roça com a indústria de calçados.
