Parem de nos matar: a violência de gênero em narrativas jornalísticas na pandemia

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Título do periódico

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola da Indústria Criativa

Programa

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Esta pesquisa investiga como são construídas as narrativas jornalísticas sobre violência de gênero contra mulheres e LGBTQIA+ na pandemia de Covid-19 em portais de notícias brasileiros entre 2020 e 2021, a partir da análise em dois acontecimentos específicos. A violência de gênero se intensificou na pandemia em função, principalmente, das medidas de isolamento, da crise econômica e de saúde ocasionada pela doença, aprofundando as desigualdades de gênero. Para entender como o jornalismo narra a violência de gênero, a pesquisa parte de uma argumentação teórica sobre os estudos de jornalismo, gênero, violência de gênero contra mulheres e LGBTQIA+ e narrativas jornalísticas. Discute-se como gênero e patriarcado articulam um sistema de produção de desigualdades e violências contra mulheres e pessoas sexo-gênero diversas. A constituição histórica e social da violência contra mulheres e LGBTQIA+, conquistas, avanços e retrocessos nas políticas públicas para enfrentamento das violências são essenciais para compreender a produção e o agravamento da violência de gênero na pandemia de Covid-19. O acontecimento e as narrativas jornalísticas são conceitos centrais para pensar o papel do jornalismo e do jornalista para a produção de narrativas jornalísticas sobre violência de gênero e os sentidos que elas geram. Assim, através da análise da narrativa de dois acontecimentos de repercussão nacional sobre violência de gênero, a audiência do caso Mariana Ferrer e o caso de Roberta Nascimento, vítima de transfeminicídio que teve o corpo queimado por um adolescente em Recife, percebe-se que o jornalismo simplifica a problemática da violência de gênero ao apenas relatar os acontecimentos de modo sucinto e episódico. Desse modo, entendo que a violência de gênero, em sua origem e modos de produção, não é percebida como um acontecimento jornalístico, ainda que acontecimentos dessa natureza se acumulam cotidianamente. As narrativas pouco articulam casos, acontecimentos e dados da violência, e ainda mantém como fontes principais as institucionais, especialmente as fontes policiais. É possível ainda perceber uma construção narrativa diferenciada nos casos analisados, tanto na descrição das violências, como na identificação e tratamento dado às vítimas, que por vezes são expostas e revitimizadas. O jornalismo não se vale de sua posição como instituição legitima para produzir narrativas mais humanas e interessadas, que promovam o debate público e a produção de conhecimento. Entretanto, é possível observar que há mudanças em curso, como iniciativas que trabalham a partir de uma perspectiva de gênero, atentas ao contexto atual e as discussões de gênero e sexualidade que surgem através dos sites de redes sociais.