“Entre arte, cultura e axé”: Cirandeira Danças Brasileiras e a Festa da Uva em Caxias do Sul/RS
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Esta tese analisa a expressividade das religiosidades afro-brasileiras, com ênfase nas de matriz iorubá, em performances do grupo Cirandeira Danças Brasileiras, de Caxias do Sul. O objetivo é ampliar os debates sobre a presença afro-religiosa na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, por meio de uma pesquisa qualitativa realizada durante a participação do grupo na 33ª Festa Nacional da Uva, em 2022. A pesquisa reflete sobre a formação étnica de Caxias do Sul, considerando os diferentes grupos migrantes e suas práticas religiosas, e destaca a importância da Festa da Uva na construção cultural da cidade, ao resgatar a história da imigração italiana e evocar as memórias das primeiras colônias. Paralelamente, enfatiza-se a relevância da presença afro-religiosa no município, como um elemento essencial da diversidade cultural local, contribuindo para a multiplicidade de expressões culturais e religiosas da região. Este contexto possibilita a análise das narrativas de exclusão geradas a partir das performances artísticas do grupo Cirandeira, evidenciando as relações de poder e os processos de marginalização que emergem dessas representações, as quais são construídas no âmbito da interação entre o grupo e o público, refletindo as dinâmicas sociais e culturais. A base teórica adotada é interdisciplinar, com contribuições da Antropologia, História e Filosofia, com destaque para as epistemologias das culturas populares, propostas por Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino. As narrativas analisadas revelam discursos marcados por tensões e disputas simbólicas sobre a legitimidade do pertencimento social, com ênfase nas questões de religiosidade, raça e gênero em Caxias do Sul.
