Biologia reprodutiva do Veste-amarela (Xanthopsar flavus, Gmelin 1788) nos Campos de Cima da Serra, Sul do Brasil
Arquivos
Data de defesa
Autor(a)
Orientador(a)
Título do periódico
ISSN
Título do volume
Nome da instituição
Departamento
Programa
Agência de fomento
A biologia de membros da família Icteridae ainda são desconhecidos na América do Sul. O presente estudo apresenta informação sobre a biologia reprodutiva de uma população da espécie ameaçada o Veste-amarela ( Xanthopsar flavus) nos campos de altitude do sul do Brasil. Foram encontrados 18 colônias reprodutivas de 28 ± 25 indivíduos, apresentando uma relação positiva entre o número de pares reprodutivos e o tamanho da colônia (y = .967x + .296; r2 = 0.929, P< 0.001). Foram coletados dados sobre 47 ninhos encontrados durante duas estações reprodutivas de 2011 á 2013 na região fisigráfica dos Campos de Cima da Serra. Reprodução occorre entre os meses de Outubro e Fevereiro e bandos grandes de até 300 indivíduos são encontrados na região esporadicamente entre os meses de Março e Setembro. As fêmeas constroem ninhos de formato de copo aberto de lâminas de grama grossas e finas em vegetação arbustiva aquática (em particular Eryngium horridum, Baccharis trimera e Ludwigia multinervia) á 45,12 ± 24,68 (dp) cm do chão ao longo de três á seis dias (média = 4 ± 1 d, n =6). A postura média é de 3,78 ± 0,55 (sd) ovos, e o s ovos tem uma largura de 2,18 ± 0,08 (dp) cm e altura de 1,62 ± 0,09 (dp) cm. Somenete a fêmea incuba os ovos para um período de 12 ± 1 dias ( n = 5). Fêmeas são mais atenciosas ao cuidado da prole de manhã cedo e no meio da tarde. Machos ajudam alimentar os filhotes mas fazem menos visitas por hora que as fêmeas (U 30 = 74, P= 0,04) e passam até 60% do seu tempo em vigilância. Houve uma relação positiva entre idade do ninhego e número de visitas ao ninho por hora (r 2 = 0.395, P< 0.001). A época de reprodução desta espécie na região dos Campos de Cima da Serra difere em relação às outras regiões na América do Sul, o qual pode estar associado com a disponibilidade de recursos e qualidade do habitat. Em relação á postura e ás características dos ninhos, foram semalhantes aos dados encontrados em Uruguai e na Argentina. Embora seja extirpado na maioridade da sua distribuição original, X. flavus ainda reproduz em grupos relativamente grandes no noroeste do 17 Rio Grande do Sul e esforços de conservação desta espécie deveriam ser intensificados para garantir sua sobrevivência no Brasil.
