Origens e trajetórias das instituições voltadas para migração: um estudo de municípios gaúchos

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Na última década o Brasil se tornou um país receptor das migrações Sul-Sul, sendo que as principais nacionalidades advêm de países da América Latina e do Caribe, com perfil migratório de pessoas em situação de vulnerabilidade e de risco quando chegam ao país. Em 2017 houve a promulgação da Lei de Migração, inovando no ordenamento jurídico brasileiro com a ênfase nos direitos humanos, instituindo a Política Nacional para Migrações, Refúgio e Apatridia e reafirmando a condição de sujeito de direitos e de acesso a serviços públicos da população migrante em território brasileiro. Desse modo, esta migração de “novos rostos” e novo ordenamento legal colocaram ao poder público desafios das respostas institucionais frente às necessidades específicas da população, especialmente aos municípios – entes autônomos da federação desde 1988 – onde essas políticas são providas. O foco deste trabalho se concentra, portanto, nos governos locais do estado do Rio Grande do Sul, quarto estado que mais recebe o fluxo migratório Sul-Sul, com o objetivo de analisar as respostas institucionais à problemática da migração. Em uma primeira fase foram analisadas dez cidades que mais possuem migrantes e refugiados inscritos no Cadastro Único, além de Rio Grande, indicação da revisão da literatura por interações socio estatais. Na segunda, buscou-se identificar a existência de expressões institucionais, novas instituições e capacidades estatais voltadas para migrantes e refugiados nas cidades de Canoas, Cachoeirinha, Esteio, Porto Alegre, Caxias do Sul e Passo Fundo. A pesquisa foi baseada na abordagem de neo-institucionalismo histórico e ancorada nas categorias autonomia do Estado, socio gênese e capacidades estatais técnico-administrativa e político-institucionais. Foi adotada a metodologia qualitativa de estudo de caso, coletando-se as evidências por meio de documentos, dados secundários e entrevistas semiestruturadas. Evidencia-se que Canoas, Cachoeirinha e Esteio constituíram instituições à população migrante por meio da autonomia do Estado, sem participação da sociedade civil; já Caxias do Sul, por meio de interações socio estatais e Porto Alegre e Passo Fundo não desenvolveram instituições para migração, onde há transferência de responsabilidades estatais aos atores sociais em ambas as cidades. Denota-se que a autonomia conferida aos municípios implicou na diversidade de expressões institucionais e no desenvolvimento das capacidades técnico-administrativa e político-institucional nas cidades, as quais se demonstram 7 incipientes nos seis municípios. Limitações de recursos humanos, orçamentários e ausência de prioridade na gestão migratória são fatores presentes nos territórios. Diante dos obstáculos vivenciados no acolhimento de migrantes e refugiados pelo Estado, identifica-se a existência de redes informais de atores sociais e públicos como forma de articulação para respostas humanitárias. Baseado em diálogos e ligações informais, esta rede opera na facilitação da gestão de casos entre múltiplos atores. Ainda, verifica-se o desenvolvimento de ações pontuais pelas prefeituras, costuradas fora de espaços institucionais, consideradas como políticas subterrâneas elaboradas pelos atores públicos em parceria com atores sociais em prol da população migrante.


Tema (CNPq)

ACCNPQ::Ciências Humanas::Sociologia

Tipo de arquivo

Dissertação

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