Universitários e a relação entre uso de drogas, assertividade, estratégias de coping, impulsividade e suporte social: um estudo misto
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A expansão econômica mundial demanda profissionais cada vez mais capacitados, impulsionando o aumento de jovens e adultos em Instituições de Ensino Superior (IES), onde, além de adquirir conhecimentos e habilidades e socializar, eles podem enfrentar sofrimento psíquico e risco de uso de drogas. Esse percurso acadêmico, embora promova conhecimento, competências e socialização, também pode suscitar sofrimento psíquico e uso de drogas. Assertividade e estratégias de coping podem facilitar a adaptação acadêmica, enquanto sua ausência tende a induzir respostas desadaptativas, impulsividade e, eventualmente, uso de drogas, sendo que o suporte social, nesse contexto, pode atenuar ou potencializar essas dificuldades. A compreensão das interações entre universitários, assertividade, estratégias de coping, impulsividade e suporte social pode fomentar estratégias preventivas e interventivas para a promoção da saúde mental. A tese analisou os construtos assertividade, estratégias de coping, impulsividade e suporte social a partir da rede de interações entre tais variáveis e o uso de drogas por universitários, além de investigar o fator preditivo das variáveis em universitários usuários e não usuários de drogas e compreender os construtos mencionados a partir do contexto de universitários em tratamento para dependência química. Composta por três estudos, a tese usa um método transversal misto. O estudo I analisa a interação entre as dimensões das escalas: Teste de Triagem do Envolvimento com Álcool, Cigarro e Outras Substâncias (ASSIST), Escala de Assertividade de Rathus (RAS), Escala Brief COPE, Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11) e Escala de Apoio Social do Medical Outcomes Study’s Social Support Scale (MOS-SSS), por meio da Análise de Rede (AR) 11 de 505 universitários (367 fizeram uso de droga lícita e/ou ilícita e 138 não fazem uso). A coleta ocorreu de forma online, pelo Google Forms, e as análises foram realizadas pelo software R, versão 4.4.0. O estudo II, de caráter quantitativo explicativo, utilizou os instrumentos já mencionados no estudo I para investigar o fator preditivo da assertividade, estratégias de coping, impulsividade e suporte social (variáveis independentes) em 505 universitários usuários e não usuários de drogas (variável dependente), com análise por Regressão de Poisson. Por fim, o estudo III, qualitativo exploratório, buscou aprofundar a compreensão dos construtos em 07 universitários em tratamento no CAPS AD III, aplicando as mesmas variáveis, bem como entrevistas semiestruturadas, com análise apoiada na Análise Temática (Braun & Clarke, 2006). Os resultados da tese indicam que a assertividade se conecta às dimensões das estratégias de coping desinvestimento comportamental e autoculpa em universitários usuários de drogas. Estratégias de coping não adaptativas, como uso de substâncias, desinvestimento comportamental e autocupabilização, somadas à interação social e à impulsividade motora são fatores que potencializam o uso de drogas. Em universitários em tratamento para Transtorno por Uso de Substâncias (TUS), destacam-se timidez e comportamentos passivos e/ou agressivos para lidar com as dificuldades intrapessoais e interpessoais, com o uso de drogas potencializando sentimentos de ruminação e agravamento do quadro. Conclui-se que a trajetória universitária comporta interações complexas que, associadas a características individuais, podem influenciar o uso de drogas entre estudantes. O estudo sugere propostas de intervenções abordando as variáveis estudadas como mecanismo de promoção de qualidade de vida e prevenção do uso de drogas entre universitários.
