A democracia dialógica e a economia solidária

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Autor(a)



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Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

A existência de experiências democráticas organizadas de “baixo para cima”, cujo exercício de participação ocorra de forma abrangente e inclusiva, articulado com outras formas de mobilização e com ações coletivas, constitui-se como alternativa de resistência às formas democráticas meramente representativas. Nessa esteira, as experiências autogestionárias de economia solidária comportam outra lógica, não apenas em relação ao trabalho e à superação do desemprego. A associação de pessoas em empreendimentos solidários tem como fim e pressuposto uma vida mais digna e o agir social dessas iniciativas, calcadas em solidariedade, autonomia, democracia e participação, assim como no reconhecimento das diferenças, proporciona uma lógica além da razão instrumental. Com essas premissas, a presente tese intenciona traçar as principais características dos envolvimentos sociopolíticos dos empreendimentos de economia solidária, bem como associar essas práticas políticas à democracia dialógica em suas relações internas de gestão. Para tanto, apoia-se em dados do mapeamento nacional da economia solidária no Brasil, os quais demonstram a existência de vínculos sociais dos empreendimentos com o seu entorno, bem como práticas democráticas no seu cotidiano. No plano teórico, utiliza-se a democracia deliberativa e dialógica a partir do agir comunicativo, de Jürgen Habermas. Em sua teoria crítica, esse autor prescreve meios de mensurar a participação democrática em determinado sistema, como também analisa os procedimentos característicos do Estado de Direito que garantem a legitimidade democrática a partir de uma concepção de racionalidade capaz de emancipar-se dos pressupostos individualistas e estatais. No Brasil, onde a democracia tem se firmado muito mais no campo formal do que nas práticas cotidianas, diante de muitas restrições democráticas que ainda permanecem, a economia solidária conforma um campo ético-político e impulsiona redes movimentalistas, em cujas bases se constroem alianças e se sedimentam valores de um novo ator democrático.