Imaginário e espectros da violência no filme O som ao redor (2012), de Kleber Mendonça Filho
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O som ao redor (2012) é um filme escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, crítico de cinema e cineasta pernambucano. O filme, seu primeiro longa-metragem ficcional, traz temas recorrentes da sua filmografia, como a especulação imobiliária, a memória (de pessoas e de lugares, pessoal e coletiva), a violência e a insegurança nos espaços urbanos. O filme de Kleber Mendonça faz uma referência a duas obras de Gilberto Freyre, Casa-Grande & Senzala e Sobrados e Mucambos. Dessa forma, o diretor propõe uma atualização dos temas e estruturas abordadas por Freyre: a casa-grande, a senzala e o engenho. Assim, busca-se aqui compreender de que modo o mal-estar presente ao longo da narrativa do filme, tanto visual quanto sonoramente, evoca a opacidade e o racismo velado presente na sociedade brasileira contemporânea. Para isso, a fundamentação teórica da pesquisa se baseia em três autores e seus conceitos: o Imaginário Antropológico, de Gilbert Durand; o espectro e a Fantologia, de Jacques Derrida; e o espaço poético, de Gaston Bachelard. Os objetivos específicos são: explorar os conceitos do imaginário, da espectralidade e dos espaços poéticos, abordar como a obra de Kleber Mendonça se insere na tradição do cinema brasileiro moderno e representa a violência, analisando o filme a partir de seus quadros, planos, cenas, trilha sonora etc. A justificativa dessa pesquisa se dá pela curiosidade de explorar o medo e o terror que paira no cinema brasileiro e pela vontade de conhecer e entender uma parte das raízes culturais, sociais, econômicas e históricas do país pelo viés de uma de suas obras cinematográficas. A metodologia de pesquisa está dividida em duas partes: a exploração bibliográfica e a análise fílmica.
