Das tessituras de um percurso formativo nas licenciaturas: a constituição docente sob as lentes de uma matriz formativa
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Esta tese investiga a constituição docente de futuros professores, produzida pelo percurso formativo dos Cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e Pedagogia do IFRS Campus Vacaria. A escolha dessas Licenciaturas baseou-se na necessidade de uma cultura comum aos cursos de formação de professores, orientados para a formação docente, ainda que cada um tenha suas especificidades. A problemática da pesquisa foi entender como o percurso formativo destes Cursos desenvolve o processo de constituição docente dos futuros professores. A abordagem teórico-metodológica seguiu os princípios da pesquisa (de)formação, desdobrando-se em duas etapas: questionário on-line e encontros formativos em um Laboratório de Docências Contemporâneas (LABDOC) que considerou todos os licenciandos, desde os ingressantes até os concluintes. Ainda, as narrativas e movimentos emergentes no LABDOC foram articulados aos Projetos Pedagógicos dos Cursos. Os referenciais da pesquisa foram os estudos sobre docências contemporâneas, formação de professores e constituição docente, entre outros. Para a análise, utilizou-se uma Matriz Formativa baseada nos estudos de Gert Biesta, no que se refere ao conceito de Educação e Ensino, com foco na tríade de domínios de propósito na ação educativa: qualificação, socialização e subjetivação. A Matriz Formativa foi tomada como uma ferramenta abrangente que integra e relaciona os domínios, bem como as forças agenciadoras para o percurso formativo. Pelas suas lentes, as análises apontam para a necessidade do fortalecimento da formação para a docência no percurso formativo dos Cursos de Licenciatura. Para isso, é preciso considerar o desenvolvimento de experimentos e experiências docentes desde o início do percurso, para que se viabilize a compreensão da indissociabilidade teoria-prática na docência e a articulação entre os conhecimentos pedagógicos e específicos da área formativa. Dessa forma, a docência ganha outros sentidos que fogem às discursividades de romantização ou dos engendramentos dos modelos gerencialistas em Educação e da linguagem da aprendizagem, quando os licenciandos são desafiados a criar e experimentar uma docência autoral. Por isso, a tese defendida é a de que no percurso formativo das licenciaturas evidencia-se importante assumir uma matriz formativa (qualificação, socialização e subjetivação) e a formação como (de)formação, desenvolvendo experimentos e experiências docentes desde o início do curso, a fim de criar e viver um ethos formativo que produzirá um “fazer-se sujeito” de futuros professores, autores de suas docências.
