Discurso reportado em narrativas: a construção colaborativa de histórias na fala-em-interação
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As atividades de contar e narrar têm sido o foco de muitos estudos (GOFFMAN, 1974; 1981; MANDELBAUM, 1989; 2012; GOODWIN, 2006; HOLT, 2007; 2009) na área da Linguística Interacional (COUPER-KUHLEN; SELTING, 2017) e, especialmente, da Análise da Conversa (SACKS; SCHEGLOFF; JEFFERSON, 1974) nos últimos anos. Tais estudos se propuseram a investigar como os participantes não apenas relatam eventos passados, organizam esses reportes e constroem diferentes identidades para si e para os outros, mas também comorelatam as ações interacionais de outros participantes. Assim como as narrativas, o discurso reportado (doravante DR) tem sido objeto de estudos analítico interacionais, especialmente quando aparece em narrativas (LARSON, 1978; MAYES, 1990; GOLATO, 2000; HOLT, 2009; ROMAINE; LANGE, 2006). A maneira com a qual é incorporado e utilizado nas narrativas, assim como a forma como é co construído, geram grande interesse e discussão na área em questão. Com base nisso, o presente trabalho origina-se da percepção do importante papel que o DR desempenha em narrativas, assim como da curiosidade investigativa linguístico interacional sobre os papéis interacionais que os/as próprios/as interagentes desempenham enquanto lançam mão do DR. Com o propósito de contribuir para o cenário linguístico-interacional brasileiro e sob a perspectiva teórico-metodológica da Análise da Conversa Multimodal (MONDADA, 2009; 2014; 2018; CRUZ et al, 2019), este estudo se propõe a analisar: (1) como o DR é introduzido; (2) como o reportante o emprega na narrativa; (3) como o DR é co-construído pelos interagentes; e (4) a importância das ações corporificadas na construção do DR nas narrativas. Os resultados deste trabalho indicam que: (a) majoritariamente, ao longo das narrativas, o DR é antecedido de uma oração reportadora, de um marcador discursivo, da combinação de ambos e, também, da combinação de marcadores de sequencialidade com marcadores discursivos. Os casos de quotativos-zero são mais escassos nos dados; (b) o DR serve para instanciar e para demonstrar a ação desempenhada por outro (ou pelo próprio interagente em algum momento anterior ou hipotético), para avaliar alguma situação, para demonstrar a sequencialidade da narrativa, para construir formulações e diálogos, etc; (c) o DR é co-construído através da tentativa de formulações, da atenção dos interagentes à necessidade de 7 colaboração e através da manifestação de iniciações de reparo; e (d) é utilizado para ilustrar como um acontecimento e/ou ação ocorreu originalmente.
