A construção do projeto republicano brasileiro no marco do constitucionalismo de 1988
Data de defesa
Autor(a)
Orientador(a)
Título do periódico
ISSN
Título do volume
Nome da instituição
Departamento
Programa
Agência de fomento
O constitucionalismo de 1988 (re)formulou o Estado brasileiro, tendo em vista que a solidariedade e a igualdade foram alçadas como prioridades nas relações sociais, bem como se instituiu um modelo de sociedade republicano. Contudo, decorridos mais de 30 anos da promulgação da Magna Carta, visualiza-se o descompasso existente no Brasil: um texto constitucional tão preocupado com a igualdade; e uma sociedade tão carente de sua concretização. Observando esse antagonismo, o problema que norteia essa dissertação é o seguinte questionamento: o elo entre política de Estado e política de governo impacta a institucionalização de novos direitos (via política legislativa) e a concretização dos já existentes (através de políticas públicas)? Como hipótese, apresenta-se a seguinte afirmação: na medida em que a Constituição institui o pacto republicano (e, com ele, os compromissos dos agentes do Estado) e seu projeto político-econômico (materializado pela igualdade), pode-se dizer que a harmonização entre política de Estado e a formulação da(s) política(s) de governo determina a atuação do poder político (legislativo e executivo) na instituição de novos direitos, na manutenção dos já existentes e, por fim, na concretização dos já constitucionalmente assegurados. Assim, o objetivo geral desta pesquisa consiste em refletir sobre os impactos da relação Direito, Política e Economia na formulação de políticas de governo no que diz respeito à sua adequação ao modelo de Estado arquitetado pela Constituição brasileira (o que aqui se entende como política de Estado), fundado no pacto republicano e num projeto político-econômico que pauta suas ações na promoção da igualdade. Para tanto, o caminho a ser percorrido perpassa pela análise dos principais traços que caracterizam o constitucionalismo de 1988, no que diz respeito a sua arquitetura político-econômica. O segundo passo, transcendendo o estágio inicial de contextualização, diante da importância para consumação do projeto de sociedade republicano, serão analisadas abordagens teóricas sobre a igualdade. Inicialmente, a partir das contribuições de Thomas Piketty e, especialmente, de António José Avelãs Nunes, os quais sustentam os prejuízos da desigualdade para o desenvolvimento dos países, o que se agrava em decorrência dos avanços de políticas neoliberais. Após, observando os problemas estruturais ainda existentes no Brasil, a teoria das capacidades de Amartya Sen será estudada, como forma de evidenciar as principais injustiças sociais brasileiras. Por último, a teoria tridimensional de justiça de Nan desenvolvimento de políticas de governo, cujo objetivo seja a emancipação dos cidadãos. Ao fim, o último capítulo consistirá em uma análise de três momentos da história brasileira, os quais serão relacionados a cinco políticas de governo: o ProUni, o Bolsa Família, o congelamento dos gastos públicos e as Reformas Trabalhista e da Previdência. Para construção da dissertação, será utilizado o método hermenêutico-fenomenológico, justamente por enxergar o conhecimento de algo como acontecimento e fenômeno. Tudo isso conduzirá, como conclusão, à confirmação da hipótese, isto é, a compatibilidade entre política de Estado e a formulação de políticas de governo se estabelece como compromissos e limites ao agir dos agentes políticos, que terão como norte as garantias, direitos e deveres fixados na Constituição Federal.
