Quem disse que não é coisa de menina: provocações acerca das relações de gênero no ensino técnico em agropecuária do IFRS – Câmpus Bento Gonçalves
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Esta tese problematiza as relações de gênero num campo que há muito tempo foi, e ainda é, considerado de “predomínio” masculino: a área da Técnica em Agropecuária, com o objetivo de identificar como docentes do Curso Técnico em Agropecuária do IFRS – Câmpus Bento Gonçalves compreendem as relações de gênero que se estabelecem entre as alunas e os alunos durante o processo de ensino e aprendizagem. O processo metodológico perpassou a análise documental sobre os livros de Atas do Conselho Consultivo e da Cooperativa Escolar e de Trabalho dos Alunos do Colégio de Viticultura e Enologia; a realização de entrevista semi-estruturada e a realização de quatro Grupos de Discussão dos quais três serão analisados neste estudo. Fizeram parte dos Grupos de Discussão, docentes que atuam no Curso Técnico em Agropecuária do IFRS – Câmpus Bento Gonçalves e que têm formação na área técnica. Sendo assim, de 87 docentes do câmpus, 12 participaram deste estudo, focando a problemática central em como ensinar jovens no curso técnico em agropecuária levando em consideração a formação técnica de quem ensina no curso. Os resultados indicam que a educação segue sexista na forma como o ensino técnico é encarado. A visão naturalizada dos gêneros, em que as meninas/mulheres são descritas como atenciosas, organizadas e concentradas, numa relação oposta à compreensão de que os meninos/homens são fortes, desorganizados, determinados, confirma de uma certa forma que o feminino, apesar da coragem de se fazer presente nessas escolas, deve ter o seu lugar porque é diferente e essa diferença acaba desprestigiando, desvalorizando e esmaecendo o vigor criativo e a potência de aprendizagem que elas possuem. Por outro lado, ao admitir o ingresso da primeira estudante feminina em 1959, a instituição despertou a curiosidade sobre outras mulheres de virem a estudar nessa escola técnica, abrindo caminhos e possibilitando, por meio das memórias individuais e coletivas evocadas nessa tese, que o olhar se tornasse menos rígido sobre as janelas da história que se abrem para as relações de gênero.
