A trajetória de uma imigrante: Anna Maria Pauletti Rech (1876-1916) e a atuação feminina nas colônias italianas do Rio Grande do Sul
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Uma camponesa italiana viúva, de 47 anos, mãe de sete filhos e sem futuro na Itália, emigra para um destino incerto no Brasil. Em solo brasileiro, ela cria seus filhos, abre o próprio negócio (pousada para tropeiros em Caxias do Sul) e também coloca em prática seus conhecimentos ligados à saúde, tornando-se parteira. A pesquisa almeja compreender a atuação feminina nas colônias de imigração italiana no Rio Grande do Sul a partir da figura de Anna Maria Pauletti Rech, que aqui chegou em 1876. Por meio dela, busca-se entender os lugares de atuação das mulheres, principalmente as viúvas, desquitadas e/ou solteiras, aquelas que não tinham ao seu lado uma figura masculina como chefe de família. Será utilizada a metodologia de estudos de trajetórias, com ênfase no protagonismo feminino e suas relações com o contexto social. Através do cruzamento de fontes como, por exemplo, periódicos, livros de batismos, documentos da Câmara Municipal de Caxias do Sul e entrevistas, tentaremos compreender melhor as relações da personagem com o contexto da época. Acompanhar o caso da imigrante Anna Rech permitirá que entendamos, também, as diferentes representações criadas para positivar o papel da mulher imigrante. Anna Rech teve uma estátua construída por ocasião dos festejos do Centenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, na década de 1970, visando enaltecer a figura da mulher imigrante como mãe e batalhadora, que abandonou o local de origem para vencer em terras brasileiras. Por fim, ressaltamos a importância deste estudo para auxiliar na compreensão do universo feminino na sociedade formada por imigrantes no Rio Grande do Sul.
