(Co)construção de referências em atendimentos em balcão: processos de referenciação multimodal em interações sociais

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

Ao considerarmos atendimentos comerciais em balcões, é de senso comum que, quando ocorre a aproximação de um/a cliente, o/a atendente responsável se oriente para atendê-lo/a, visto que a seleção da(s) mercadoria(s) desejada(s) requer assistência. No momento da escolha dos produtos, dispostos e acessíveis visualmente no balcão e/ou em suas imediações, são frequentes (co)construções de processos de referenciações (MONDADA, 2015), que resultam na copresença do referente, que pode ser física ou linguística (CLARK; MARSHALL, 1981). Todavia, como se organizam e quais são as ações (desempenhadas através de meios linguísticos e/ou corporificados) que operam no desenvolvimento do processo de seleção desses produtos? Essa é a indagação que mobiliza esta pesquisa, desenvolvida por meio das perspectivas teórico-metodológicas da Análise da Conversa Multimodal (AC) (SACKS; SCHEGLOFF; JEFFERSON, 1974; MONDADA, 2014) e da Linguística Interacional (LI) (COUPER-KUHLEN; SELTING, 2017). Referenciações, no contexto analisado, requerem o atingimento da intersubjetividade entre os/as participantes para que o andamento do atendimento seja possibilitado. A fim de analisar e descrever as diferentes trajetórias em que processos de referenciação são (co)construídos, foram analisadas 54 interações naturalísticas de atendimentos, gravadas em um balcão de açougue de supermercado. Os resultados apontam que (1) os/as interagentes reformulam seus turnos de fala, bem como fazem uso de condutas corporificadas, com o propósito de facilitar a orientação mútua ao referente; (2) a orientação dos/as consumidores/as ao campo visual que está disponível (ou indisponível) no espaço interacional influencia na escolha da trajetória da construção da referência; (3) quando necessários, os reparos de referência realizados envolvem o provimento de informações adicionais ou a alteração das descrições anteriormente providas pelo/a falante. Os processos de referenciação, nesse contexto, também podem demonstrar interacionalmente que o/a cliente e o atendente se conhecem, seja pela frequência em que o/a comprador/a realiza transações comerciais no estabelecimento ou pelo compartilhamento de outros espaços de convívio. Considerando a escassez de estudos que investiguem atendimentos em balcão no português brasileiro falado a partir de uma perspectiva linguístico-interacional multimodal, os achados desta 5 pesquisa podem iluminar e alargar nosso entendimento das complexidades envolvidas na (co)construção de referências.