“O que tu tem pra negociá comigo pra eu não voltá pra guerra?”: juvenicídio educacional em pequenas histórias de jovens em escola de atendimento socioeducativo

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Título do periódico

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola da Indústria Criativa

Programa

Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Embora a educação escolar de jovens em conflito com a lei esteja assegurada em lei (BRASIL, 1990; BRASIL, 2012), na prática, os processos educacionais na socioeducação nem sempre se cumprem, conforme a lei expressa. Frente a essa realidade, nesta tese, em consonância com os objetivos do Projeto “Novos Significados [...]”, busco aprofundar reflexões que partem de percursos, interesses e modos de percepção da realidade de jovens dos anos finais do ensino fundamental, considerando sua condição de ser jovem em meio às suas circunstâncias de vida, privados de liberdade, em medida socioeducativa, e, não por opção, matriculados em uma escola por força de lei. Ao considerarmos as relações intrínsecas entre linguagem e realidade, a pergunta de pesquisa que mobiliza esta tese é assim indicada: o que revelam as performances narrativas em pequenas histórias com relação à escola, perante os percursos de vida de jovens em medida socioeducativa de internação, em contexto de escolarização nos anos finais do ensino fundamental (EF)? Assim, o objetivo geral deste estudo é identificar que Discursos constituem os sentidos de escola, em face aos percursos de vida de adolescentes dos anos finais do EF, em medida socioeducativa de internação, por meio de performances narrativas em pequenas histórias e narrativas imagéticas sobre o ideal de escola. São analisados treze excertos de narrativas e narrativas imagéticas de duas turmas. Para isso, utilizam-se concepções teóricas relativas à Discurso (GEE, 1999, 2004) e visão performativa da linguagem (AUSTIN, 1990; PENNYCOOK, 2004; 2007). Em conjunto com conceitos concernentes à linguagem, as análises também são fundamentadas com base em reflexões teóricas relativas à vulnerabilidade, precariedade e violência (BUTLER, 2016a; 2016b; 2021), em convergência com estudos juvenicídio (VALENZUELA ARCE, 2012, 2021, 2022). Nas performances narrativas em pequenas histórias em foco, é possível identificar que esses jovens têm suas vidas marcadas por um conjunto de desigualdades sociais que começam pelo território e se estendem pela falta de acesso a recursos de infraestrutura urbana, bem como a direitos básicos. O que nos leva a pensar que os Discursos e sentidos, sobre a escola, integram um conjunto de problemas sociais muito mais abrangentes, que ultrapassam o alcance da escola.