Participação democrática em cooperativas de crédito na era digital
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A revolução digital está transformando a sociedade, a maneira como as pessoas trabalham, ficam conectadas com amigos e familiares, buscando principalmente informações, educação e divertimento. Os diferentes setores também são alterados por isso, desde a educação até a saúde, as instituições financeiras, e, claro, as cooperativas. Ao mesmo tempo em que essas têm alcançado destaque por meio do cooperativismo de plataforma no contexto atual e na urgência por modelos de negócios mais justos para a economia colaborativa, as cooperativas tradicionais não parecem estar digitalizadas além do seu pilar negócio. Pouca inovação é relatada nos aspectos de governança e nos diferenciais cooperativos. Diante dessa realidade este trabalho analisou aspectos da participação democrática em cooperativas de crédito na era digital, propondo formas de sua efetivação para o sistema cooperativo do estudo. Para isso, realizou-se uma pesquisa quantitativa com 52 cooperativas de um sistema cooperativo de crédito e, em uma segunda etapa, uma pesquisa qualitativa, na qual foram relatadas e avaliadas as experiências de assembleia digital já realizadas por elas. As três experiências foram uma assembleia virtual, uma assembleia simultânea em dois estados e a outra em um formato de assembleia física, mas com conteúdo gravado. Como resultados, viu-se que as cooperativas estão cientes e vivendo os processos da digitalização dos seus associados, mas por fatores culturais e por receio da mudança de processos, poucas testaram novos modelos. Diante das possibilidades apontadas pela literatura e das experiências já existentes, na proposta para o sistema foi sugerido: a adoção de ferramentas digitais para a transparência, envolver os associados como usuários usando técnicas de co-criação, proporcionar momentos de participação durante o ano e, nas assembleias, testar diferentes modelos digitais para identificar o melhor, conforme o perfil do associado. Devem ser consideradas as melhores práticas levantadas, tais como: o respeito aos ritos das pautas obrigatórias, segurança, assiduidade, custo, capacidade de interação, acesso ao sócio, transparência, duração e mediação. O desafio da era digital para as cooperativas não é a tecnologia em si, mas a mudança cultural necessária para potencializar a participação dos sócios por meio da digitalização e a mudança de conceitos que uma era que pode ser realmente colaborativa propõe novamente às cooperativas.
