O autoritarismo relacional brasileiro no contexto da hipermodernidade

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Direito

Programa

Programa de Pós-Graduação em Direito

Agência de fomento

Nenhuma
Resumo

A presente tese aborda a tradição autoritária brasileira e, especialmente, suas manifestações dentro do Poder Judiciário através do desenvolvimento do conceito de autoritarismo relacional. Para tanto, é feita uma análise sobre o atual contexto mundial, marcado pela crise do Estado e pela hipermodernidade – bem como caracterizado por uma série de crises interconectadas que conduz a uma ideia de caos constitucional –, a fim de compreender suas ligações com a apresentação atual do autoritarismo brasileiro. Essas conexões são fundamentais para determinar aqueles que são os dois fenômenos jurídicos mais importantes para a reprodução de uma lógica autoritária em nosso sistema de justiça nos dias atuais: o ativismo judicial e o garantismo penal. Assim sendo, é feita uma reconstrução histórica buscando traçar uma linha de transplantes jurídicos e institucionais que foram decisivos para a formação da sociedade brasileira, passando por conceitos como República, democracia e soberania popular, que foram transplantados para o território brasileiro e aqui ganharam um sentido bastante peculiar. Essas importações de conceitos não foram realizadas com o objetivo de alterar a realidade social, mas, ao contrário, com o intuito pragmático de justificar o status quo. A partir da análise do contexto internacional e da tradição brasileira, ficam claras as razões que tornaram o ativismo judicial e o garantismo penal os dois fenômenos jurídicos atualmente mais relevantes para a reprodução, dentro de nosso sistema de justiça, de uma lógica autoritária. Esses elementos, somados a uma discussão sobre a própria definição do poder, possibilitam a compreensão das características particulares do autoritarismo brasileiro, aqui chamado de autoritarismo relacional. Defendemos, portanto, que o autoritarismo relacional se constitui enquanto um conjunto de relações bastante amplo, que, na prática, priva do efetivo acesso à cidadania grande parte dos indivíduos que não estão inseridos em determinados círculos sociais, ao mesmo tempo em que busca legitimação através de um discurso baseado em referências a ideias em voga nos grandes centros mundiais de produção cultural.