Definição das cotas de inundação do rompimento hipotético da Barragem das Laranjeiras a partir de software de modelagem hidrodinâmica

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

Este trabalho buscou identificar as áreas inundáveis e as edificações impactadas a jusante, além de analisar a passagem da onda de cheia devido ao rompimento hipotético da Barragem das Laranjeiras, através de simulações hidrodinâmicas bidimensionais com o uso do programa HEC-RAS 6.1. A definição dos cenários de simulação foi baseada no Manual do Empreendedor sobre Segurança de Barragens da Agência Nacional de Águas. Foram definidos dois cenários para o estudo de rompimento hipotético da Barragem das Laranjeiras, o cenário 01, cenário de rompimento mais provável, e o cenário 02, cenário de rompimento extremo. A partir do uso de ferramentas de geoprocessamento foi delimitada a bacia de contribuição a montante da barragem, e realizada a sua classificação quanto ao uso e tipo do solo. O parâmetro curva-número médio calculado para a bacia de montante foi de 73,59. Os hidrogramas de entrada para os dois cenários de rompimento foram definidos através do Método SCS. A partir de simulações hidrodinâmicas 2D no HEC-RAS 6.1 utilizando os parâmetros de formação de brecha adotados para cada cenário de rompimento verificou-se a propagação da onda de cheia e os impactos causados a jusante. A inundação máxima gerada para o rompimento no cenário 01 atingiu cerca 4,65 km² e um total de 1.519 edificações, e para o cenário 02, cerca de 15,46 km² e um total de 6.804 edificações. A partir da comparação do hidrograma de rompimento com os hidrogramas de passagem da onda de cheia, verificou-se para os dois cenários, que o pico associado ao rompimento da barragem se tornou irrelevante ainda dentro da Zona de Auto Salvamento e antes de atingir as áreas urbanas a jusante. Avaliando os volumes propagados para os dois cenários de rompimento, de 4,07 hm³ para o cenário 01 e de 13,53 hm³ para o cenário 02, em relação ao volume do reservatório da Barragem das Laranjeiras de aproximadamente 0,18 hm³, pode-se concluir que o que foi analisado na realidade é a passagem de uma onda de cheia natural, e que os impactos avaliados tem influência mínima associada ao volume de água armazenado pela barragem.