“Eu não sou essa escrita aí e, ao mesmo tempo, essa escrita é minha!”: por uma problematização enunciativa benvenistiana para o ensino de escrita

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola da Indústria Criativa

Programa

Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
FAPERGS - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul
Resumo

Esta tese tem como objetivo geral propor uma noção de escrita a partir das formulações de Benveniste, que contribua para uma re-significação do ensino de escrita no contexto acadêmico. Do ponto de vista teórico, i) interrogo-me para relatar e ii) interrogo-me para derivar. Para o primeiro, interrogada pela demanda do ensino de escrita, produzo um relato de experiência a partir das aulas observadas em uma disciplina de produção textual de uma universidade privada do sul do Brasil, de duas versões de texto produzidas por dois alunos e da interlocução que tive com eles. Para o segundo, a partir do estudo da tríade conceitual intersubjetividade, referência e sentido, articulada à teoria geral da linguagem de Benveniste, desdobro o curso sobre escrita da obra Últimas Aulas e dele derivo princípios para uma noção de escrita. Do ponto de vista analítico, tendo como categoria de análise a referência sobre escrita, i) interrogo (-me) para problematizar e ii) interrogo para propor. No primeiro momento, seleciono passagens do relato produzido em que é possível identificar a constituição de uma noção de escrita e as problematizo, verificando em que medida cada uma das noções apresentadas articula-se com os princípios sobre escrita derivados da última obra de Benveniste. No segundo momento, a partir de um panorama da análise, proponho uma noção de escrita para o ensino na universidade. Na problematização do relato, a escrita é abordada como gramática, como processo, como elaboração, como desafio e como experiência. Ela ainda, entre outras questões, supõe interlocução. Essa construção, aliada à noção de escrita em Benveniste, inaugura uma necessidade de mobilização da escrita, a qual só pode ser promovida por um laço entre professor-revisor e aluno-scriptor no processo de escrita, possibilitando que o aluno seja protagonista de uma enunciação em um sistema que não se reduz à língua nem é mera representação da fala, mas que convoca uma experiência de enlace na e pela linguagem a fim de que se efetive uma escrita que sirva para viver.


Tema (CNPq)

ACCNPQ::Lingüística, Letras e Artes::Lingüística

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