A ausência física e afetiva do pai na percepção dos filhos adultos
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A ausência paterna é uma temática ainda pouco estudada no âmbito acadêmico nacional, apesar de repercutir no desenvolvimento afetivo, cognitivo e social de crianças e adolescentes. Importantes repercussões dessa ausência ocorrem também no funcionamento familiar. Neste sentido, este trabalho busca investigar a ausência paterna física e afetiva para além da infância e adolescência, abordando a percepção de filhos adultos sobre este aspecto, mais especificamente, identificando sentimentos e vivências dos adultos a respeito dessa condição em seu momento de vida atual. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza exploratória tendo participado do estudo quatro adultos com idade entre 25 a 40 anos, pacientes de psicólogos, de uma Clínica de Psicologia situada em Caxias do Sul/RS. Todos têm em comum a percepção de ausência paterna, seja ela de origem física ou afetiva como algo que continua trazendo reflexos na vida adulta. Foi utilizado como instrumentos um questionário de dados sociodemográficos e uma entrevista semiestruturada, e a análise qualitativa de conteúdo para a discussão dos dados. Para isso foi realizada uma revisão da literatura a respeito da ausência paterna durante o desenvolvimento da criança e do adolescente com o objetivo de compreender melhor o tema. Dentre os principais resultados destaca-se o impacto desse distanciamento, seja ele físico e/ou afetivo, refletido em sentimentos de desvalorização, abandono, solidão, insegurança, baixa estima e dificuldades de relacionamento que começam a ser percebidos na infância e continuam interferindo na trajetória de desenvolvimento na idade adulta.
