Considerações sobre a noção de “vergonha”: as concepções de freud e os sofrimentos contemporâneos
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O artigo busca apresentar uma contextualização sobre a noção de vergonha a partir de uma leitura psicanalítica, abordando desde as teorizações realizadas por Freud até o debate sobre a presença do afeto da vergonha junto aos sintomas de sofrimento na contemporaneidade. Para tanto, este estudo discute ideias de Freud e de autores contemporâneos, buscando articular a noção de vergonha junto a sua função social nas sociedades tradicionais e nas contemporâneas, e estabelecer nitidez à noção de vergonha - discutindo suas aproximações e distanciamentos em relação ao afeto da culpa. A partir do debate realizado entre os autores, evidenciou-se que as perspectivas que teorizam sobre a vergonha a discutem sob a transição do conflito entre o que é permitido ou proibido - nas sociedades modernas - para o dilema entre o que é possível e o que é impossível - nas sociedades contemporâneas. Entre esta passagem, a vergonha é entendida principalmente como uma força recalcadora das pulsões sexuais ou como uma forma de desintegração social num contexto de declínio da autoridade simbólica, ao contrário da culpa - que possuía nas sociedades tradicionais um valor de integração social.
