A invenção dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento nos documentos curriculares da educação infantil no Brasil
Data de defesa
Autor(a)
Orientador(a)
Título do periódico
ISSN
Título do volume
Nome da instituição
Departamento
Programa
Agência de fomento
Esta tese versa sobre os direitos de aprendizagem e desenvolvimento propostos nos documentos norteadores para a Educação Infantil, com amparo em uma perspectiva teórica e documental dos conceitos de criança, infância e currículo. O problema central que guiou esta pesquisa buscou investigar o percurso histórico no qual se configurou a invenção dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento da criança efetivado nos documentos norteadores da Educação Infantil em uma perspectiva curricular do direito à educação no Brasil. Tendo como inspiração metodológica a Epistemologia Social de Thomas Popkewitz (1997), que possibilita olhar para os referenciais teóricos e documentos, situando o modo como o conhecimento se entrelaça com o mundo “social” para produzir relações de poder. Buscando responder a essa questão central da pesquisa, apresentamos, inicialmente, o percurso histórico e social no qual se consolidou o reconhecimento e o surgimento do sentimento de criança e de infância Ariès (2014); Freitas (2001); Kohan (2005); Narodowski (1993); assim como os conceitos e perspectivas do currículo e das políticas curriculares para a infância, utilizando autores, como Abramowicz e Kramer (2023); Apple (1998); Carvalho et al. (2021); Moreira e Silva (2013); Popkewitz (1994, 1997, 2001); Santos e Macedo (2021) e Silva (2021). Com vistas a compreender, ainda, como o direito coletivo à educação se torna direito individual de aprendizagem e desenvolvimento da criança – conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se –, conforme encontramos no documento da BNCC (Brasil, 2017), assim como em outros documentos analisados, contribuindo para que políticas neoliberais invistam cada vez mais na produção no neossujeito (Dardot; Laval, 2016), investigamos alguns dos documentos norteadores para a Educação Infantil (CF, 1988; ECA, 1990; LDB, 1996; PNE, RCNEI, 1998; DCNEI, 2009a; BNCC, 2017), os quais consolidaram nossa hipótese inicial, de que esses direitos individuais já vinham sendo constituídos anteriormente à BNCC (Brasil, 2017). E que podem – e são –, tomados por diferentes propostas, buscar democratizar ou padronizar o sujeito. Nossa tese, consolidada ao final deste estudo, confirma a hipótese levantada no início da pesquisa, de que os direitos de aprendizagem e desenvolvimento consolidaram-se muito antes do documento da BNCC (2017), marcando uma trajetória histórica que inicia com a Constituição Federal de 1988 e ganha maior visibilidade no pós-LDB de 1996, mesmo que nem sempre sendo apresentados como direitos, ou ainda, sendo citados com maior ênfase em alguns documentos, assim como observamos naqueles cujo viés é referenciar e subsidiar a construção do currículo da educação infantil, do que em outros, de caráter mais legislador, porém, todos os seis direitos, apareceram em algum dos documentos, assemelhando-se ainda em sua abordagem conceitual.
