O mercado de luxo na China: da criação de uma classe capitalista chinesa ao consumo de luxo
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Sob o prisma das Relações Internacionais, a presente pesquisa aborda as principais características do mercado de consumo de luxo da China, transcorrendo desde a sua formação até os moldes atuais. Buscando responder como se apresenta o mercado de luxo chinês, o trabalho - utilizando-se de ferramentas de pesquisa qualitativas – pôde ao longo de seus cinco capítulos, ilustrar as principais características do mercado, do consumo e do consumidor de luxo do país asiático. Atualmente o consumo é tido como um fator de diferenciação entre os indivíduos. Consumir, há tempos, já não é simplesmente um ato pragmático que visa a utilidade do objeto consumido. Nos dias de hoje, além de se consumir um bem, consome-se os seus significados e simbologias, visando satisfazer desejos pessoais e alcançar imagens de prestígio dentre distintos grupos sociais. O mercado de produtos e serviços de luxo representa a epítome desse processo, sinalizando status e distinção ao seu seleto e restrito grupo de consumidores. A ode a opulência e ostentação são fatores intrínsecos a esse universo, cuja existência é datada desde o Egito Antigo. Atualmente, o mercado de luxo é controlado principalmente por grandes nomes da indústria ocidental, que buscam incessantemente por novas oportunidades de crescimento ao redor do globo. Na China, as marcas desse segmento depararam se com uma demanda há muito reprimida, devido a ideais políticos, sociais e econômicos da Era Maoísta. Com as reformas estruturais empreendidas em 1978 no país por Deng Xiaoping, nomeadas como “Política de Portas Abertas” - que viabilizaram a abertura econômica da China para investimentos estrangeiros – deu-se início a um processo que possibilitou a acumulação de capital individual na China e a criação de uma classe capitalista chinesa. A partir disso, com o aumento do poder de compra da população chinesa, marcas de luxo passaram a almejar um espaço no mercado. Os chineses, cujo apreço por artigos de luxo é datado desde a época das dinastias imperiais Tang e Ming, puderam se reconectar com a sua cultura e, com a entrada em massa de marcas ocidentais de luxo no país, passaram a reivindicar maior representatividade da cultura chinesa nos produtos e um aumento da participação de designers e funcionários chineses nas marcas. Respaldados pela sua importância para a indústria de luxo, haja vista que o mercado de consumo de produtos e serviços de luxo da China é - atualmente - o segundo maior do mundo, a população passa a pressionar a indústria e, os desdobramentos desse fenômeno, poderão alavancar o prestígio e o reconhecimento da cultura chinesa a nível global. Consumidores assíduos de luxo, os chineses poderão, em 2025, representar 40% do consumo total de luxo mundial, tornando-se o maior mercado consumidor de bens de luxo do mundo, desbancando o atual primeiro lugar, os Estados Unidos.
