Literatura indígena brasileira na contemporaneidade: panorama transcultural da dimensão literária indígena Guarani na obra de Kaka Werá Jecupé “Oré awé roiru’a ma – Todas as vezes que dissemos adeus – Whenever we said goodbye”
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O presente estudo versa sobre a obra literária indígena “Oré awe roiru’a ma – Todas as vezes que dissemos adeus – Whenever we said goodbye” de Kaka Werá Jecupé, Partimos de uma análise evocativa da narrativa oral-escrita Guarani tendo em vista o silenciamento das culturas ameríndias a partir do projeto eurocêntrico de exploração colonial o qual perpetua em seus desdobramentos os ditames canônicos. O construto deste estudo tem como objetivo refletir sobre a literatura indígena brasileira na contemporaneidade. Nesse sentido, problematizamos o teor peculiar da dimensão literária indígena – cosmovisão – como possibilidade de transitividades intraétnicas e interétnicas dos valores culturais – ontológicos – do povo originário Guarani na sociedade envolvente. Visamos descrever os fatos que compõem a narrativa a partir dos deslocamentos do autor-narrador-protagonista Kaka Werá Jecupé no percurso narrativo: espaço-temporal, ambientação física e psicológica. O estudo em análise fundamenta-se em premissas antropológicas, literárias e sócio-históricas (CALVET, 2007; CLASTRES, 1990; DEL PINO, 1972; DURAND, 1989, 1997; FILHO, 1990; GRAÚNA, 2013; MELIÀ, 2010, 2016; MORIN, 2003, 2008; PEREIRA, 2010, 2012; SPIVAK, 2010; THIEL, 2012). Nossos resultados revelam a necessária construção pedagógica que contemple o lugar de fala e escuta da literatura de expressão indígena como um princípio didático-metodológico para a vida planetária. Partimos do pressuposto que a narrativa literária Guarani precisa ser (re)conhecida, pois é feita de sabedoria tecida de humanidade que resiste no tempo e no espaço entre dois mundos – comunidades de origem e ocidentais.
